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ENTREVISTA: José Luiz Tancredo, vereador pelo PSDB

Entrevista
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Foto: Divulgação/Câmara de Vereadores

Entrevista

ENTREVISTA: José Luiz Tancredo, vereador pelo PSDB

Ele fala sobre o dinheiro da Associação da Prefeitura, dificuldades em ser oposição, aumento do IPTU e Cosip, Lucas Esmeraldino, sociedade com Ponticelli, ataques contra sua família e Caio Tokarski no PSDB.

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José Luiz Tancredo (60) nasceu em Lauro Müller mas mora em Tubarão há 43 anos. Casado, tem quatro filhos e três netos. É formado em Geografia (licenciatura), Marketing (tecnólogo) e pós-graduado em Gestão de Risco e Meio Ambiente e Trânsito. Foi servidor público municipal e chegou à presidência da Associação dos Servidores da Prefeitura de Tubarão, em uma página tumultuada de sua carreira política. Foi Secretário de Planejamento, Defesa Civil e Desenvolvimento Urbano no governo de cinco prefeitos diferentes. Está em seu terceiro mandato como vereador. Em 2016, já filiado ao PSDB, se elegeu com 792 votos. Faz parte da bancada oposicionista na Câmara. Também é sócio da Rádio Litoral FM, em Imaruí, presta serviços de assessoria em gestão pública na área de planejamento e leciona no curso de Tecnologia em Gestão Pública.

ExtraSC – O Governo Municipal possui a maioria esmagadora dos vereadores na Câmara. O senhor se vê como uma ilha isolada no plenário?
Tancredo –
Em uma eleição, você tem a premissa de que pode ser situação ou oposição. No meu caso, sou vereador do PSDB, temos a bancada do nosso partido. Eu não tenho nada contra o posicionamento do executivo em querer estabelecer uma base maior no legislativo. O que o governo tem que entender é que a oposição é importante para a cidade. Um município só vai pra frente quando tem um legislativo forte. Nós regulamos as leis e fiscalizamos o executivo. Eu me posicionei como oposição porque fui eleito para ser oposição. Outros vereadores também fazem isso, por isso não me sinto uma ilha isolada. Agora, cabe a nós a responsabilidade de discutir projetos, enriquece-los, trazer para as comissões e promover audiências públicas. Isso não aconteceu em 2017 porque 97% dos projetos apresentados pelo executivo foram em regime de urgência. Então não tem como você discutir. A insatisfação da oposição é nesse sentido. Fora isso, acredito que o executivo faz a sua parte e nós fazemos a nossa. Repito: o que precisa é ter mais democracia na discussão dos projetos.

ExtraSC – Gostaria de contar mais com o apoio dos seus colegas, especialmente os que fazem parte das siglas de oposição?
Tancredo – 
Tem outros vereadores que também debatem na tribuna, questionam e votam em muitos dos projetos contra aqueles que o executivo apresenta na casa. Eu sinto que nós temos um crescimento muito grande da oposição. 2018 está começando com outro posicionamento, de outros vereadores na Câmara com relação a oposição ao governo. Isso é importante e salutar.

“Eu sou muito objetivo na discussão dos projetos. Se o líder de Governo não tem entendimento ou não acompanha, não é um problema meu”.

ExtraSC – O senhor ficou satisfeito com o fim que levou a discussão sobre o aumento do IPTU?
Tancredo – A discussão do IPTU não teve fim. A ação popular que nós entramos foi descaracterizada pelo juiz, mas não foi julgado o mérito. Porque se é julgado o mérito, com certeza o aumento seria revogado. Além de recorrer, nós desmembramos uma parte e apresentamos na promotoria, para poder caracterizar a insatisfação da população e a ilegalidade do projeto, da metodologia e da forma como foi feito para atualizar a planta genérica de valores. No nosso entendimento, o modelo que o executivo usou não existe em nenhuma cidade: a alteração do quantitativo das UFMs. Você não consegue fazer uma atualização justa de IPTU sem elaborar um recadastramento. A forma mais correta é discutir o valor venal do imóvel, para chegar em uma planta genérica e estabelecer um valor justo de cobrança. Subir 50% de forma generalizada não é legal. Nós seguimos questionando.

ExtraSC – Porque só agora os vereadores foram debater o aumento na da Cosip? Não perceberam isso antes?
Tancredo – 
O projeto de lei que regulou o aumento na Cosip veio em outubro de 2017 e teve três votos contrários: o meu, do Professor Paulão (PT) e Douglas Antunes (MDB). Naquela oportunidade, nós alertamos que a base de cálculo não estava adequada e que teria um reajuste que não medíamos a dimensão. A metodologia que eles aplicaram para fazer a atualização, que na tabela indicava de de 22 a 67%, extrapolou. Com essas bandeiras amarela, vermelha e verde e uma tabela de reajuste, a B4a, estabelecidas pela Aneel, nós tivemos uma atualização que variou entre 100 e 600%. A insatisfação é da população, que não ficou em alerta quando veio o projeto de lei porque não veio na conta. O aumento só apareceu agora, em fevereiro, quando a população foi pagar o vencimento de janeiro. Na última sessão da Câmara, por requerimento do vereador Gelson Bento (PP) e aprovado por todos os pares da casa, ficou decidido que há a necessidade do executivo discutir esse reajuste, que ficou fora da realidade para a população de Tubarão.

“A sociedade [com o prefeito Joares Ponticelli] não deu certo porque ele tinha um projeto de vida diferente do meu e optou por não estar mais no negócio comigo. Foi uma decisão particular. Não brigamos e eu ainda o tenho como um amigo”.

ExtraSC – O Cemitério Municipal de Tubarão não pode mais ter sepultamentos. O senhor e os demais vereadores vão deixar essa situação continuar? O que pode ser feito para reverter isso? Nunca mais teremos enterros lá?
Tancredo – O prefeito Olavio [Falchetti], em 2016, assinou um decreto fechando o cemitério central, até por orientação do Ministério Público e do Conan, que estabeleceu uma nova metodologia, com tipo de construção e isolamento para a não contaminação do lençol freático. Tubarão tem 13 cemitérios e dois foram notificados. Em 2017, quando assumimos, fizemos uma audiência pública, enviamos uma correspondência ao prefeito e ele acatou. Criamos então, uma comissão com representantes da Câmara de Vereadores, técnicos da prefeitura, Fundação do Meio Ambiente e da igreja. Essa comissão fez uma série de estudos e planejamentos e entregou o relatório ao executivo no final do ano passado. Agora, estamos aguardando. A prefeitura tem todas as condições para avaliar a reabertura do cemitério, e essa é uma cobrança constante da população. Esperamos que isso aconteça logo.

ExtraSC – O vereador Maurício Silva gosta de fazer outras coisas enquanto você debate com ele na Câmara, como conversar no Facebook. O que você acha disso?
Tancredo – Eu não vou discutir a postura do líder de Governo com relação a sua atenção no plenário da Casa. Eu sou muito objetivo na discussão dos projetos. Se o líder de Governo não tem entendimento ou não acompanha, não é um problema meu. Nos debates que vou para plenário, tento discutir e convencer os demais vereadores a votar naquilo que nós defendemos. Nem tudo o que o governo encaminha para a Câmara nós votamos contra ou temos discussão com o líder do Governo. Nos defendemos os projetos dentro da legislação.

“Agora vou levar a ferro e fogo. Bateu na canela, vou defender na canela. Bateu no gogó, vou defender no gogó. O respeito vai ter que ter. Ou as pessoas aprendem a fazer um projeto político para o desenvolvimento do município, ou não façam”.

ExtraSC – O vereador Lucas Esmeraldino oficializou essa semana a saída do PSDB. O que isso representa para o partido e para a sua bancada na Câmara? Vocês irão pedir o mandato dele na Justiça?
Tancredo – Como secretário do PSDB, quando recebi o ofício do vereador Lucas, fiquei muito triste, porque entendo que é uma grande liderança, com potencial e um futuro político muito promissor. Nós ainda estamos tentando ver se ele reconsidera, mas se isso não acontecer, cada um segue o seu caminho. Com relação a bancada na Câmara, nós vamos permanecer em três vereadores. Se vai ser pedido o mandato na Justiça, essa é uma decisão do partido. Temos que ver as diretrizes do PSDB no município e no diretório estadual. Até porque, Lucas era presidente da Associação dos Vereadores do PSDB em Santa Catarina. Ele tinha uma representação muito forte na executiva estadual. Então essa decisão não é só no município, mas também do PSDB estadual.

ExtraSC – O senhor já foi sócio do prefeito Joares Ponticelli em uma rádio, em Imaruí. A sociedade não deu certo? Vocês são brigados?
Tancredo – Gostaria de deixar claro que não tenho nada contra a pessoa do prefeito Joares Ponticelli. Contra o seu CPF, não tenho nada contra. Com relação ao seu CNPJ tenho sim. Na Câmara tenho meu posicionamento como opositor, mas um opositor que discute o mérito do projeto. Não entro na questão da particularidade. Ele já foi meu sócio e fomos leais um ao outro. A sociedade não deu certo porque ele tinha um projeto de vida diferente do meu e optou por não estar mais no negócio comigo. Foi uma decisão particular. Não brigamos e eu ainda o tenho como um amigo. Meu posicionamento político não interfere na amizade como pessoa física.

“Alguns, quando jogo o chapéu pra cima, ele cabe certo. E esses ficam um pouco revoltados”.

ExtraSC – O senhor foi um dos grandes nomes do PP de Tubarão. O que o fez deixar a sigla? Tem alguma mágoa ou ressentimento?
Tancredo – Comecei a minha vida política no Partido Progressista. Tive uma participação muito forte no desenvolvimento da sigla, especialmente quando o Irmoto ainda era o líder maior na cidade e nós fizemos uma transformação, trazendo uma liderança nova, o Joares Ponticelli. Só que chegou determinado momento em que houve conflito entre os membros do diretório, por conta de espaço político e eu fui prejudicado. Naquela oportunidade, achei que deveria sair. Não levei mágoa e nem existiu ressentimento. Quando saí, levei comigo 360 membros do partido, entre eles 16 do diretório. Mas nunca anunciei isso na imprensa. Sinto que vivo em um momento ímpar dentro do PSDB. Aqui tenho espaço e oportunidades para dar continuidade ao meu crescimento político.

“Na minha visão e na dos advogados que trabalharam no processo, é uma situação puramente política [sobre o processo da Associação da Prefeitura] … Eu tenho a sentença dada pelo juiz, fazendo com que a diretoria me reintegrasse como sócio na associação, devolvendo todos os meus direitos”.

ExtraSC – Em entrevista ao Arilton Barreiros, na Rádio Santa Catarina, o senhor citou que tem sido alvo de ataques contra a sua honra, assim como sua família. É verdade?
Tancredo – Eu considero o seguinte: na política você deve separar a questão político/partidária da pessoal. Eu, em momento algum, nos dois mandatos que exerci como situação e neste, como oposição, fui para o plenário questionar as pessoas. Sempre discuti projetos e seus méritos. Nada dá, a quem faço oposição, direito de atacar a minha família. Ninguém jamais vai fazer isso. Trabalhei em uma mesma empresa por 36 anos, e nunca tive uma ação contra. Um único problema que eu tive foi uma situação criada externa, política e que já resolvi na justiça. Isso não dá o direito deles quererem, novamente, levar a minha família à barga. E agora vou levar a ferro e fogo. Bateu na canela, vou defender na canela. Bateu no gogó, vou defender no gogó. O respeito vai ter que ter. Ou as pessoas aprendem a fazer um projeto político para o desenvolvimento da cidade, ou não façam. Tem uns que tem os projetos pessoais. E esses eu não concordo.

ExtraSC – Em determinado momento, usou um pseudônimo de “Cientista político”. Pode revelar a quem se referia?
Tancredo –
Existem pessoas que vivem no meio político achando que sabem tudo, que podem dominar tudo e atacar a todos. Esses são os cientistas políticos. Alguns, quando jogo o chapéu pra cima, ele cabe certo. E esses ficam um pouco revoltados. Não vou entrar no mérito de nomes, porque cientista político não é um, são alguns.

Tancredo assinando o termo de posse como vereador, em 1º de janeiro de 2017. Foto: Divulgação/Câmara de Vereadores

Extra SC – Quando falou da situação criada política/externa que já resolveu na justiça, o senhor está se referindo ao processo da Associação da Prefeitura? Como terminou isso? As pessoas ainda o questionam muito?
Tancredo – Na minha visão e na dos advogados que trabalharam no processo, é uma situação puramente política. Eu nunca neguei que a associação tinha dívidas. Essas dívidas são oriundas de gestões anteriores a minha, parte delas do Jairo [Cascaes], do saudoso Ângelo Zabot, que era vice-prefeito, pelo convênio que tínhamos com o Tubarão [Futebol Clube] e parte também gerada pela própria prefeitura, que descontava os empréstimos de consignação dos servidores, pagava em dia os salários mas o repasse para a associação atrasava. Durante seis anos, chegou a atrasar de 1 a 22 dias. Chegava o dia 5, o Besc e o Banco Real debitavam na conta da associação o valor das consignações, tendo ou não tendo na conta. Era uma carteira em torno de R$ 180 mil. Então gerava juros. Todos os recebimentos da associação eram feitos via banco. Eu nunca paguei nada ou saquei em dinheiro. Sempre foi pago em cheque. Nós tínhamos um conselho fiscal, que assinava os balancetes a cada 60 dias. Óbvio que eu não ia fazer milagre. Isso me prejudicou, prejudicou a minha família. Meus filhos ficaram 20 dias sem ir pra escola. Hoje, só uma ação ainda está em aberto, as demais eu ganhei todas. Está em aberto porque não houve o reconhecimento da contabilidade documental. Eu apresentei tudo para a promotoria. Trabalhei 36 anos na prefeitura, fui secretário de cinco prefeitos diferentes. Nunca fiz nada que me desabonasse, nunca mexi em uma caneta. Não é da minha índole fazer isso. Os “cientistas políticos” tentam me atacar com isso. Na eleição do Deka May, às vésperas de toda a eleição e agora, com o meu posicionamento de oposição na Câmara. Agora estou acionando juridicamente, como eu fiz com a chefe de imprensa da Prefeitura. E esses fakes, fiz e estou fazendo denúncias constantes na Polícia. Uma hora nós vamos chegar em quem está promovendo tudo isso. E que me batam mais. Quanto mais batem, mas a gente vai crescer. Eu ando de cabeça erguida. Isso não me fere mais. Eu tenho a sentença dada pelo juiz, fazendo com que a diretoria me reintegrasse como sócio na associação, devolvendo todos os meus direitos sob pena de multa de R$ 100,00 ao dia pelo não cumprimento. Fora quem quer me atacar, ninguém mais me questiona sobre isso. A população diz o seguinte: chega, isso aí tem um limite. Faz 11 anos. Esse é um método aplicado pelos “cientistas” dentro do governo, que ainda pensam que essa é a forma de fazer política. Mas quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado dos outros.

ExtraSC – O senhor ou e/ou seu partido convidaram o vice-prefeito Caio Tokarski (PSD) para ir para o PSDB?
Tancredo – Eu enxergo nele uma pessoa com qualidades, capaz de fazer gestão no executivo e no legislativo. Em algumas oportunidades conversei com ele, sim. Ele também me ligou algumas vezes, para discutir questões técnicas, porque tenho experiência na área de gestão pública. Cheguei a alertá-lo de algumas situações no executivo, e ele acatou minhas considerações. Também ajo como cidadão, como alguém que quer ver a minha cidade ir pra frente. Aqui moram a minha família, meus filhos e netos. Em determinado momento nós falamos sobre futuro político. Eu gostaria, claro, de ter uma figura como o Caio Tokarski no PSDB. Agora, não posso oferecer o partido para alguém sem um convite do presidente e da executiva do partido. Eu sempre questionei a questão de trazermos boas lideranças para a sigla. Tenho certeza de que, se um dia o Caio não se sentir à vontade em seu partido, as portas do PSDB estarão abertas.


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