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ENTREVISTA: Mauri Luiz Heerdt, reitor da Unisul

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ENTREVISTA: Mauri Luiz Heerdt, reitor da Unisul

Gestor da universidade fala sobre parceria que está sendo buscada, atraso de salários, outdoors do Sinpaaet e a implantação de um Portal da Transparência.

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Mauri Luiz Heerdt é graduado em Filosofia pela Unisul, com especialização em Administração, pela Udesc; Gestão Estratégica de Instituições de Ensino Superior, pela Unisul; Mestrado e Doutorado pela Ufsc. É professor desde 1988. Na Unisul desde 1998, foi professor, coordenador de cursos, Gerente de Ensino, Pró-Reitor e Vice-Reitor, até assumir a reitoria, em 2017.

ExtraSC – A Unisul será vendida?
Não. As negociações em curso não envolvem o patrimônio da Fundação Unisul. Trata-se de uma das premissas para o início de qualquer tipo de tratativa.

ExtraSC – Qual é o objetivo desta parceria que está sendo amplamente discutida?
Neste momento não há qualquer parceria firmada. O que existe são possibilidades sendo avaliadas, com diferentes formatos e em diferentes estágios de tratativas. Todas têm como base a busca de alternativas que viabilizem a sustentabilidade, a perenidade e a manutenção da qualidade da Unisul. Somente com recursos que ajudem no equacionamento do fluxo de caixa e que viabilizem investimentos em ambientes de aprendizagem, em tecnologias inovadoras e na capacitação e qualificação dos nossos professores, conseguiremos viabilizar a continuidade da Unisul.

ExtraSC – Qual é a real situação financeira da universidade hoje?
Diante das várias dificuldades que temos vivenciado, estruturamos e implementamos um conjunto sistêmico de medidas de economicidade e de otimização de recursos, que nos permitiram uma redução mensal média de aproximadamente um milhão em custos de pessoal e 1,5 milhão de custos operacionais. No entanto, estas medidas não foram suficientes para equacionar o fluxo de caixa mensal, levando-nos a buscar constantemente formas de reduzir nossos custos e, sobretudo, ampliar nossas receitas por meio de medidas de produção, tais como a oferta de novos cursos, a ampliação de vagas em cursos já existentes, a captação de recursos para projetos de pesquisa e desenvolvimento, bem como oferta de serviços científicos e tecnológicos, dentre outras.

ExtraSC – O que levou a universidade a chegar nessa situação?
Podemos afirmar que são múltiplos os fatores, com origens e contextos distintos. Um deles diz respeito à dependência histórica da Unisul da obtenção de recursos financeiros externos para viabilizar investimentos e o custo da operação. Outro diz respeito a uma mudança substancial no sistema de educação superior brasileiro ocorrida nos últimos anos, que provocou a entrada de novos concorrentes, o advento e contínua expansão da EaD, a formação de grandes grupos trabalhando em economia de escala e o aumento da oferta do ensino superior gratuito, principalmente no interior do Estado de Santa Catarina. Um terceiro fator diz respeito à crise econômica brasileira, que ocasionou uma diminuição na procura por universidades pagas, refletiu na contratação de menos créditos por parte dos alunos que permanecem estudando e ampliou o descompasso no repasse dos recursos dos programas estaduais e federais. É importante citar, ainda, o descompasso da relação entre o número de estudantes pagantes e com algum benefício, especialmente aqueles provenientes do Proies e a dificuldade do acesso às alternativas de linhas de crédito para novos investimentos. Isto citando somente alguns dos fatores.

ExtraSC – Os funcionários estão com seus salários em dia? Caso não, como estão os atrasos?
Mesmo com todas as dificuldades que temos enfrentado, a maioria dos trabalhadores da Unisul têm recebido seus salários em dia. Porém, no decorrer de 2017 e nestes primeiros meses de 2018, parte dos colaboradores, infelizmente, têm recebido seus salários com alguns dias de atraso. A realidade é que apenas uma pequena parcela de colaboradores, aqueles com os salários mais altos, estão com parte dos seus salários de junho e outubro de 2017 (base de Tubarão) ou abril de 2018 (base da Grande Florianópolis) em atraso. Nossa proposta, já acordada em juízo com o sindicato da base da Grande Florianópolis, é efetivar o pagamento integral destes salários remanescentes até o próximo dia 15 de agosto. O objetivo é fazer o mesmo com os colaboradores da base de Tubarão.

Mauri Heerdt sendo empossado reitor da Unisul, em 2017. Foto: Luisy de Albuquerque

ExtraSC – A universidade já pensou em um “plano”, caso os sindicatos estimulem a realização de uma greve entre os funcionários?
Nós temos muita clareza do papel dos sindicatos e também da importância deles para a preservação dos direitos e dos interesses dos trabalhadores, independentemente de enquadramento e nível salarial. No entanto, estamos também convencidos de que as lideranças sindicais, e principalmente os trabalhadores, têm consciência de que apenas um trabalho coletivo na busca de soluções permitirá a perenidade da Unisul. É preciso enfatizar que tudo o que temos feito, com profissionalismo, responsabilidade e transparência é, justamente, para preservar os diversos benefícios que os colaboradores da Unisul possuem e, mais do que isso, preservar os próprios empregos.

ExtraSC – Não existem muitos cargos executivos na universidade, que contribuem para o inchamento das despesas mensais?
A Unisul congrega uma comunidade acadêmica de mais de 25 mil estudantes, aproximadamente 2.500 empregados, centenas de estagiários, bolsistas, monitores, três Campi, sete Unidades, 78 Polos de EaD distribuídos pelo Brasil, além é claro de milhares de outras pessoas e espaços no entorno da Unisul. Isto significa dizer que, neste sentido, nossa Universidade é maior do que a maioria dos municípios catarinenses. Ainda assim, podemos garantir que nossa estrutura de gestão é bastante enxuta. Inclusive, são raras, talvez inexistentes, as universidades do porte da Unisul que possuem apenas duas pró-reitorias, duas assessorias, sendo que uma delas acumula outra função, e três direções de Campus. No entanto, temos ações constantes de visam a otimizar a estrutura de gestão da Universidade, cujos resultados podem ser percebidos na relação entre os custos diretos e indiretos da Unisul: nos últimos anos diminuímos significativamente os custos indiretos, ou seja, custos de gestão.

ExtraSC – No final de 2017, a Câmara de Vereadores aprovou uma Lei que obriga a Unisul a criar um Portal da Transparência. Como está esse processo?
Mesmo que não houvesse lei para isso, todos sabemos que transparência é um compromisso com a honestidade, seja na esfera pessoal seja no ambiente das organizações. Sem dúvida, a Unisul tem esse mesmo dever e podemos assegurar que quanto à Lei de Acesso à Informação, nós a respeitamos na íntegra. Até porque, pelo fato de sermos uma Universidade Comunitária, cabe-nos prestar contas de todos os recursos de origem pública. Isso é realizado sistematicamente e com rigor. Prestamos contas anualmente ao Ministério Público do Estado de Santa Catarina, curador das fundações, incluindo todos os demais colegiados, com representação de alunos, professores, colaboradores técnicos-administrativos e, igualmente, os sindicatos. No que se refere à Lei Municipal nº 4.846/2017, entendemos que é um movimento necessário e justamente esperado pela sociedade. Todavia, é fundamental relembrar o que temos dito em outras oportunidades: não somos geridos pelas regras da administração pública, de modo que os nossos colaboradores não são servidores públicos e, por esta razão, não têm direito à estabilidade, assim como não temos a exigência de contratação por meio de processo licitatório. São elementos estes e outros que nos levam a refletir com especial atenção sobre as formas de aplicação do Portal. Desde a publicação da Lei estamos em contato com a Prefeitura e com a Câmara de Vereadores, por intermédio do Conselho Curador da Fundação Unisul, no sentido de discutirmos essas formas necessárias à correta implementação. Estamos trabalhando dentro do prazo dado às instituições para isso e o resultado, ainda que possa ser continuamente aperfeiçoado, terá efeito muito salutar para fortalecer a confiança e o respeito que sempre houve entre Unisul e comunidade.

ExtraSC – A Legislação Trabalhista proíbe a divulgação dos salários, individualmente. Mas há algum impedimento de se publicar a faixa de vencimentos por função?
Muito interessante e oportuna a sua pergunta. A garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada das pessoas é um direito fundamental que foi conquistado a duras penas e todos compreendemos e respeitamos esta conquista que todo Estado Democrático de Direito deve assegurar. Por outro lado, temos plena convicção de que nenhum direito é absoluto e estamos buscando um equacionamento deste direito frente à transparência que todas as instituições, públicas e privadas devem manter na sociedade. Logo, o que é sugerido na pergunta é, coincidentemente, uma das possibilidades que está sendo analisada.

ExtraSC – O Sinpaaet espalhou outdoors pela cidade, justamente acusando que a Unisul está sendo negociada. Qual é o posicionamento da universidade sobre esta manifestação?
Como já foi dito em várias ocasiões, diante do cenário interno e externo, seria uma irresponsabilidade da nossa parte não buscar alternativas que viabilizem a sustentabilidade e a perenidade da Unisul. Neste sentido, não negamos, em hipótese alguma, que estamos analisando várias alternativas, mas a realidade é que até o momento não houve qualquer entendimento de acordo. Importante ressaltar que para acontecer qualquer negociação, temos um conjunto muito sólido de premissas que precisam ser atendidas para que essas negociações se efetivem e que incluem, embora não se restrinjam apenas a estas: garantia da sustentabilidade institucional da Fundação Unisul no cumprimento de seus objetivos e de sua Missão; preservação integral do patrimônio de propriedade da Fundação Unisul; promoção e projeção perene da marca Unisul; aprimoramento dos padrões de qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária da Unisul; manutenção dos programas de inclusão social por meio  do acesso das pessoas carentes aos cursos oferecidos na Unisul; garantia de investimentos na revitalização dos ambientes acadêmicos, na qualificação de professores e dos funcionários, bem como o aprimoramento dos processos e tecnologias de gestão e a continuidade da interação institucional com projetos e demandas de desenvolvimento regional e de inovação nas regiões de abrangência de nossa Universidade.

ExtraSC – A Unisul vai sair dessa?
Estamos trabalhando para que isto aconteça o mais breve possível, mas de modo seguro e eficaz, garantindo a integridade e a perenidade da Unisul; garantindo a continuidade do nosso compromisso como Universidade Comunitária, realizado há mais de 50 anos, conforme descrevemos sucintamente na resposta anterior. Mas, acima de tudo, é fundamental não permitirmos que nossos medos se sobreponham às nossas esperanças. Por isso, digo com convicção: sim, estamos preparando a Unisul para um novo ciclo!

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