Laguna é conhecida por seus santos, que batizam suas ruas, igrejas e histórias. Ainda assim, há momentos em que nem os santos de Laguna parecem dar conta de resolver certas promessas esquecidas.
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Entrar no grupoUm viva para quem entende que palavra não é ornamento. Palavra é contrato moral. É aquilo que sustenta relações, constrói reputações e define caráter. E, entre todos os defeitos do homem, talvez a falta de palavra seja o mais revelador.
Há quem suba rápido demais. Mas quanto mais alto se chega sem alicerce, maior costuma ser o tombo. A queda não vem do acaso, vem da incoerência. Prometer é fácil quando se precisa. Cumprir é que separa os homens dos moleques.
Procurar o outro apenas quando se precisa não é esquecimento — é escolha. E toda escolha, cedo ou tarde, cobra seu preço.
Talvez por isso o evangelho bíblico de Mateus seja tão direto, quase desconfortável: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. O que passa disso vem do mal.” Não há espaço para meia palavra, para promessas condicionais ou verdades ajustáveis. Ou se é, ou não se é.
Em tempos de discursos abundantes e compromissos escassos, viva quem ainda sustenta a própria palavra. Porque aplausos cessam. Mas a mentira permanece — e costuma ecoar mais alto do que qualquer promessa feita.
Em Laguna, terra de todos os santos, talvez o maior milagre seja ainda o mais simples: dizer menos, cumprir mais e lembrar que caráter não se negocia.




