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Crise e liquidação do Banco Master: entenda o colapso da instituição

Banco Central decretou o fim das operações após identificar fraudes, "supertaxas" irreais e rombo bilionário.

Atualizado há 5 dias
Crise e liquidação do Banco Master: entenda o colapso da instituição

O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma série de irregularidades financeiras e tentativas frustradas de venda. O caso culminou na prisão do dono da instituição, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores, em uma investigação que aponta movimentações fraudulentas de aproximadamente R$ 12 bilhões.

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Aqui estão os pontos centrais para compreender a queda do banco e o impacto para os clientes:

O "Sinal de Alerta": Taxas Impossíveis

  • O Master atraía investidores oferecendo rentabilidades muito acima do mercado em seus CDBs (chegando a 180% do CDI), enquanto bancos saudáveis pagavam cerca de 110%.

  • Especialistas apontam que essas "supertaxas" indicavam que o banco havia perdido acesso a crédito barato e precisava captar dinheiro rápido de pessoas físicas para cobrir rombos.

  • O banco lastreava suas operações em ativos de difícil conversão em dinheiro, como precatórios e carteiras de crédito duvidosas.

Fraudes e Investigação

  • A Polícia Federal investiga a "fabricação" de carteiras de crédito inexistentes. O Master teria simulado a compra de créditos da empresa Tirreno (sem pagar nada) e os revendido ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões para forjar liquidez.

  • Negociações com o BRB e grupos estrangeiros falharam devido à falta de transparência e à intervenção de órgãos de controle.

  • Em um dos endereços dos investigados, a PF encontrou R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo.

Mudanças no Sistema Financeiro

A agressividade do Master levou o Conselho Monetário Nacional a endurecer as regras para todo o setor:

  • Bancos de maior risco agora pagam o dobro (0,02%) de contribuição ao fundo garantidor.

  • A fiscalização sobre o volume de depósitos tornou-se mais rigorosa.

  • Instituições que crescerem demais em relação ao seu patrimônio são obrigadas a investir o excedente em títulos públicos federais.

Como ficam os clientes e investidores

  • Investimentos como CDB, LCI, LCA e poupança são garantidos em até R$ 250 mil por CPF/CNPJ. O ressarcimento começou em 19 de janeiro.

  • Quem possui mais de R$ 250 mil entra na lista de credores da massa falida, sem garantia de recebimento integral ou imediato.

  • Quem deve ao banco (incluindo empréstimos ou faturas do cartão Will Bank) deve continuar pagando as parcelas normalmente, sob pena de juros e negativação. A liquidação não extingue dívidas de clientes.

  • Bloqueio de Bens: O patrimônio dos controladores está indisponível por ordem judicial para garantir o pagamento de dívidas e multas.