Estabelecimentos com menos de um ano encerram atividades; por quê?
Cenário expõe fragilidade do comércio diante da crise nacional.

Cenário expõe fragilidade do comércio diante da crise nacional.

A dificuldade de manter novas empresas abertas ficou evidente nesta semana com o encerramento de dois negócios que sequer completaram o primeiro ano de história. O Atacadão do Pastel e a gelateria Sweet Frost, ambos em Tubarão, anunciaram a interrupção de suas atividades, reforçando as estatísticas de que os primeiros meses de operação são os mais críticos para a sobrevivência comercial.
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Entrar no grupoA Sweet Frost, localizada no Aeroporto e focada num inovador gelato na chapa, encerrou o ciclo com apenas seis meses de funcionamento. Já o Atacadão do Pastel, na Rua Lauro Müller, funcionou por apenas nove meses. Ambas as trajetórias curtas demonstram que a resiliência familiar, embora essencial, muitas vezes não é suficiente para superar as barreiras de entrada no mercado atual.
O fechamento desses empreendimentos ocorre em um contexto econômico de forte desconfiança. Os mercados nacional e internacional mantêm o pé no freio em relação a investimentos no Brasil, e a instabilidade no governo federal — com a iminente saída de Fernando Haddad (PT) do Ministério da Fazenda — agrava a percepção de risco e retrai o consumo das famílias.
Segundo o economista Gustavo Martins, o fim da gestão Haddad projeta uma sombra ainda maior de incertezas, que atinge diretamente o pequeno empreendedor.
"O mercado nacional e internacional trabalham com previsibilidade. Quando o comando da economia entra em um cenário de indefinição, o capital trava, o crédito encarece e a confiança do consumidor despenca. Essa combinação de juros e falta de clareza sobre o futuro fiscal do país é o que muitas vezes inviabiliza a continuidade da operação", analisa Martins.
Além do cenário político-econômico, a ausência de uma estratégia de comunicação pode ser fatal. Segundo o especialista em comunicação digital Ricardo Pesci, a falta de investimento em publicidade surge como um fator decisivo para negócios tão jovens.
"Quando o produto é inovador ou busca criar um novo hábito, a ausência de uma estratégia de comunicação robusta pode impedir que a marca se consolide. Sem marketing, o tempo de maturação do negócio acaba sendo mais longo do que o fôlego financeiro permite", explica Pesci.
Para o setor produtivo local, o fim precoce desses ciclos é um alerta sobre a necessidade de um ambiente econômico mais estável e de um planejamento de comunicação que garanta que o cliente conheça e prestigie o novo negócio antes que as contas se tornem insustentáveis.




