Todo mundo fala. Mas nem todo mundo faz jornalismo
Por ALESSANDRO NEVES, jornalista.

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Por ALESSANDRO NEVES, jornalista.

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Neste 7 de abril, Dia do Jornalista, faço uma provocação necessária: em tempos em que todo mundo tem um celular na mão e uma rede social aberta, será que todo mundo virou jornalista?
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Entrar no grupoA resposta é simples: não.
Nunca foi tão fácil publicar. Nunca foi tão rápido opinar. Nunca foi tão comum ver alguém com milhares de seguidores se apresentando como “fonte de informação”, “canal de notícia” ou até “portal”. Mas compartilhar conteúdo não é fazer jornalismo. Repassar mensagem não é apurar. Ter alcance não é ter credibilidade.
E talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo: confundir audiência com responsabilidade.
Hoje, qualquer pessoa pode filmar, comentar, postar, viralizar. Isso faz parte do mundo moderno e, em muitos casos, é até positivo. As redes sociais democratizaram a voz. Mas deram palco também para muita gente que fala sem saber, acusa sem prova, divulga sem checar e publica sem medir consequências.
Jornalismo é outra coisa.
Jornalismo exige cuidado. Exige ouvir os dois lados. Exige consultar fontes oficiais. Exige checar antes de publicar. Exige responsabilidade com a informação e, principalmente, com as pessoas envolvidas nela.
Influenciador pode ter relevância. Criador de conteúdo pode ter talento. Comunicador pode ter carisma. Mas isso, por si só, não transforma ninguém em jornalista.
Ser jornalista não é só estar diante da câmera ou atrás de um perfil com muitos seguidores. É ter compromisso com a verdade possível. É saber que uma informação errada pode destruir reputações, espalhar pânico ou manipular uma sociedade inteira.
No meio de tanta pressa, tanto achismo e tanta vaidade digital, o bom jornalismo continua sendo aquilo que sempre foi: o trabalho de quem não publica primeiro só por publicar, mas de quem busca publicar certo.
Num mundo em que todo mundo quer falar, o jornalista ainda é aquele que precisa, antes de tudo, saber ouvir, apurar e responder com responsabilidade.
E isso, felizmente, ainda faz toda a diferença.
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