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Resumo da Notícia

A gente passa metade da vida tentando caber.

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Caber na expectativa dos pais, na opinião dos amigos, na vontade do parceiro, na exigência do trabalho. Vai diminuindo as próprias bordas para não incomodar ninguém. Vai lixando a própria personalidade até ficar lisa o suficiente para não causar atrito.

E, quando percebe, já não sabe mais onde termina o personagem e começa a pessoa.

A maturidade chega no dia em que você descobre que ser amado por todos é uma ambição incompatível com ser verdadeiro.

Quem diz “não” decepciona.

Quem estabelece limites incomoda.

Quem muda de ideia frustra.

Quem escolhe a própria paz quase sempre será chamado de egoísta por quem se beneficiava do seu excesso de disponibilidade.

Não é fácil suportar a imagem de vilão na história de alguém. Dói quando deixam de gostar de nós. Dói quando somos mal compreendidos. Mas existe uma dor ainda maior: a de abandonar a si mesmo para permanecer indispensável na vida dos outros.

Algumas pessoas só gostam da nossa companhia enquanto continuamos aceitando tudo. Não amavam quem éramos. Amavam o quanto éramos úteis.

A liberdade tem um preço: decepcionar quem esperava que você continuasse o mesmo.

E talvez crescer seja exatamente isso.

Trocar o aplauso pela consciência tranquila.

Trocar a necessidade de aprovação pela serenidade de dormir em paz.

Porque agradar a todos é uma tarefa impossível.

Mas viver em paz com a própria consciência… essa, sim, vale uma vida inteira.