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Sibéle Cristina Garcia

Quando o fogo apaga

Atualizado há 1 hora
Quando o fogo apaga

imagem gerada por IA

Muita gente diz que a paixão esfria com o tempo. Eu não acredito nisso.

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A paixão, por natureza, é intensa. Faz o coração acelerar, rouba o sono, cria urgência. Mas ela não foi feita para durar no mesmo volume. O fogo alto sempre procura um lugar para descansar.

Quando existe amor, a paixão amadurece. Deixa de ser incêndio para virar lareira. Já não precisa impressionar; basta aquecer. O desejo continua existindo, mas ganha a companhia da admiração, da parceria, do cuidado e da vontade de permanecer.

O problema é quando, depois que a euforia passa, não sobra nada.

Nem conversa. Nem respeito. Nem interesse pela felicidade do outro.

Só o silêncio.

Nesses casos, não foi a paixão que esfriou. Foi a ilusão que acabou. O que parecia amor era apenas o encantamento de duas pessoas apaixonadas pela ideia uma da outra.

O amor não acaba quando a adrenalina diminui. Ele começa justamente ali, quando a fantasia dá lugar à realidade e, mesmo conhecendo os defeitos, alguém escolhe ficar.

Paixão faz promessas.

Amor cumpre.

Por isso, talvez a frase correta não seja que a paixão esfria.

É que, às vezes, nunca foi amor.