Quando você abre o Instagram, o Facebook ou o X, provavelmente imagina que está vendo as publicações das pessoas e dos perfis que acompanha. Mas existe um sistema trabalhando nos bastidores para decidir o que aparece na sua tela e quais conteúdos podem ser recomendados para você.

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Durante uma eleição, isso ganha uma importância ainda maior.

Nas eleições de 2026, uma mudança nas regras da Justiça Eleitoral começou a alterar essa dinâmica. Uma resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral determina que plataformas que utilizam sistemas de recomendação retirem os perfis oficiais de candidatos e seus conteúdos desses sistemas, com exceção das situações previstas para publicidade eleitoral paga.

Na prática, isso significa que um candidato pode publicar normalmente para seus seguidores, mas seu conteúdo não deve ser recomendado organicamente para pessoas que ainda não o acompanham.

Imagine um candidato com 200 mil seguidores. Ele publica um vídeo que começa a receber muitos comentários, compartilhamentos e visualizações. Antes, o bom desempenho poderia fazer com que a própria plataforma recomendasse aquele conteúdo para milhares de pessoas que nunca haviam seguido o candidato.

É uma das formas pelas quais um conteúdo conseguia sair da base original e alcançar uma audiência muito maior.

Agora, essa possibilidade foi limitada para os perfis oficiais das candidaturas.

Isso não significa que os candidatos desapareceram das redes. Seus seguidores continuam recebendo os conteúdos, qualquer pessoa pode procurar seus perfis e as publicações ainda podem ser compartilhadas por eleitores, influenciadores e outras contas.

A diferença está em quem faz a distribuição.

A Meta confirmou que deixou de recomendar contas de candidatos no Facebook, Instagram e Threads após o início da campanha e a disponibilização das informações oficiais das candidaturas. O X também anunciou mudanças em seu sistema para impedir a recomendação de publicações de contas oficiais de candidatos para quem não as segue.

Com isso, as campanhas precisam encontrar outras formas de chegar a quem ainda não conhece seus candidatos.

Uma delas é o impulsionamento pago, permitido dentro das regras eleitorais. Outra é a própria mobilização dos apoiadores. Um eleitor compartilhando uma publicação, um influenciador divulgando determinado candidato ou uma mensagem circulando em grupos de WhatsApp podem ajudar um conteúdo a alcançar pessoas que não seguem a conta oficial.

A tecnologia continua sendo importante, mas o papel do algoritmo muda.

Durante anos, as campanhas aprenderam a produzir conteúdos pensando também na possibilidade de viralização. Um vídeo poderia começar entre os seguidores de um candidato e, se apresentasse bons resultados, ser distribuído pela plataforma para uma audiência cada vez maior.

Agora, os perfis oficiais dos candidatos perderam parte desse caminho automático.

Isso também muda a importância de ter muitos seguidores. Uma grande audiência continua sendo uma vantagem, mas possuir centenas de milhares de seguidores não significa necessariamente conseguir alcançar pessoas novas com a mesma facilidade de antes.

Um candidato pode, por exemplo, ter uma enorme quantidade de seguidores espalhados pelo país, enquanto precisa conquistar votos principalmente em um determinado estado. Se o algoritmo não pode mais ajudar a encontrar organicamente novas pessoas daquela região, a campanha precisa buscar outros caminhos.

É aí que entram mídia paga, influenciadores, apoiadores, grupos de mensagens e outras formas de distribuição.

A eleição de 2026 será, portanto, um grande teste para a relação entre política e tecnologia.

Os candidatos continuam publicando. Os eleitores continuam compartilhando. Os conteúdos ainda podem viralizar. Mas a plataforma deixou de ser, em parte, aquela ponte automática entre um candidato e pessoas que ainda não o conhecem.

A pergunta que passa a importar para as campanhas não é apenas: “Esse conteúdo pode viralizar?”.

É também:

“Quem vai fazer esse conteúdo chegar até quem ainda não me conhece?”

Em uma eleição cada vez mais digital, essa resposta pode ser tão importante quanto a própria mensagem que o candidato pretende transmitir.