Descobri que agora as pessoas estão "farmando aura".
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Entrar no grupoCalma. Eu também precisei de tradução.
Achei que fosse alguma técnica holística, alinhamento de chakras ou, no mínimo, alguém plantando energia positiva no quintal.
Nada disso.
“Farmar aura” é acumular pontos imaginários de presença, estilo, carisma e atitude.
Você entra num lugar maravilhosa, sem precisar anunciar que chegou: +1.000 de aura.
Dá uma resposta inteligente para quem tentou te provocar: +5.000.
Ignora aquilo que, anos atrás, renderia três dias de discussão, quatro áudios de sete minutos e uma gastrite: +10.000 de aura.
Agora, se você tenta demais parecer interessante, grava tudo, posta tudo, explica tudo e ainda escreve “sou diferenciada” na legenda…
-15.000 de aura.
Porque aura mesmo não aceita Pix, filtro nem impulsionamento.
Na minha época, a gente chamava isso de personalidade.
Tinha gente que entrava numa festa e ninguém precisava perguntar quem era. Tinha presença.
Tinha mulher que colocava um batom vermelho, ajeitava o cabelo, levantava o queixo e parecia ter acabado de comprar metade da cidade.
Não tinha Instagram.
Não tinha story.
Não tinha ninguém filmando.
E, mesmo assim, ela acontecia.
Talvez tenhamos complicado demais uma coisa muito simples.
Aura não é fazer esforço para parecer inesquecível.
É justamente o contrário.
É não precisar fazer esforço nenhum.
É quando você vai embora e alguma coisa sua ainda fica.
Então, meus queridos jovens, podem continuar farmando aura.
Nós, da geração que sobreviveu à ombreira, à permanente, à pochete e às fotos que só descobríamos se tinham ficado boas depois de revelar o filme, já fazíamos isso há décadas.
Só não sabíamos que valia pontos.
E, pensando bem…
Acho que farmei aura a vida inteira. 😎









