Quem já ficou esperando horas por um voo atrasado sabe como uma pequena mudança pode transformar uma viagem tranquila em um problema. Agora, os Estados Unidos estão preparando uma tecnologia que pretende usar inteligência artificial justamente para tentar evitar parte dessas situações.
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Entrar no grupoO governo americano deve começar a utilizar o Smart (Strategic Management of Airspace, Routes and Trajectories), um sistema desenvolvido para auxiliar no gerenciamento do tráfego aéreo. A tecnologia será implantada inicialmente na região de Washington, D.C., e a expectativa é que, depois, possa ser expandida para outras áreas do país.
A ideia é fazer com que a inteligência artificial analise, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de informações que influenciam o funcionamento dos voos. Entre elas estão horários, condições meteorológicas, capacidade das pistas, situação do espaço aéreo e possíveis restrições operacionais.
Com esses dados, o sistema poderá identificar mudanças no fluxo de aeronaves e possíveis conflitos antes que eles se transformem em problemas maiores. Em determinadas situações, também poderá encontrar alternativas de rota para os voos.
Uma forma simples de entender a tecnologia é pensar nos aplicativos que usamos para dirigir. Um aplicativo de trânsito não mostra apenas onde existe congestionamento. Ele também analisa a velocidade dos veículos, acidentes, obras e outras informações para estimar onde o trânsito poderá ficar mais complicado e sugerir outro caminho.
No espaço aéreo, a lógica é semelhante, mas em uma escala muito maior. Um atraso em um aeroporto pode afetar o próximo voo daquela aeronave, enquanto uma tempestade pode alterar diversas rotas, e um aeroporto operando próximo do limite pode fazer com que outros voos precisem esperar.
São milhares de informações acontecendo simultaneamente, e é justamente nesse cenário que a inteligência artificial pode ser útil. Ao analisar essas informações rapidamente, o sistema pode ajudar a encontrar conexões que seriam difíceis de acompanhar manualmente e antecipar possíveis problemas antes que eles se espalhem.
O projeto também chama a atenção por mostrar uma mudança na forma como a inteligência artificial está sendo utilizada. Nos últimos anos, a tecnologia ficou conhecida principalmente por ferramentas capazes de conversar, escrever textos, criar imagens e auxiliar em tarefas do dia a dia.
Mas aplicações como o Smart mostram outro caminho: a IA também pode trabalhar nos bastidores de sistemas complexos que fazem parte da infraestrutura de um país.
O projeto americano prevê um contrato de US$ 875 milhões, com duração de 12 anos. A implementação começará pela região de Washington, D.C., antes de uma possível expansão para outras áreas.
A tecnologia, portanto, não significa simplesmente colocar uma IA para controlar aviões. A proposta é utilizá-la como uma ferramenta de apoio, capaz de processar informações rapidamente e ajudar profissionais a tomar decisões diante de situações que mudam o tempo todo.
Talvez essa seja uma das transformações mais interessantes da inteligência artificial nos próximos anos. Em vez de estar sempre visível para o usuário, ela pode se tornar cada vez mais presente nos bastidores, ajudando a evitar problemas antes mesmo que as pessoas percebam que eles poderiam acontecer.










