O Supremo Tribunal Federal viveu nesta terça-feira (15) uma das sessões mais tensas da história. O plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes, mas o julgamento terminou sem uma decisão.

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A discussão ocorre a partir de informações encontradas pela Polícia Federal nas investigações sobre o Banco Master. Entre elas estão mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, encontros presenciais e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Durante cerca de seis horas, porém, o mérito ficou em segundo plano. Os ministros discutiram principalmente se o caso de Moraes deveria ser analisado junto com o de André Mendonça, que também enfrenta questionamentos relacionados à condução das investigações sobre o Master.


⚖️ Julgamento termina sem definição

Edson Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram para manter os casos separados. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a análise conjunta.

Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de votar, enquanto Dias Toffoli declarou suspeição.

Flávio Dino pediu vista antes de concluir seu voto, interrompendo o julgamento. Com isso, o STF não chegou a decidir se abrirá ou não uma investigação contra Moraes. O julgamento deverá continuar após a devolução do processo por Dino.


⚖️ Moraes e Mendonça trocam acusações

Um dos momentos mais tensos ocorreu entre Moraes e Mendonça. Moraes acusou o colega de ter pressionado para que seu nome fosse incluído em uma delação premiada e afirmou possuir testemunhas. Mendonça negou: “Isso é mentira”.

Moraes também acusou o colega de parcialidade na condução do caso. Mendonça, por sua vez, sustentou que sua atuação foi legal e rejeitou as acusações.


⚖️ “Pode chorar”

Mendonça também protagonizou fortes discussões com Gilmar Mendes. O decano afirmou que houve “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do processo.

“O senhor está sendo leviano”, respondeu Mendonça.

Em outro momento, Gilmar criticou novamente o colega, que exigiu respeito. “Pode chorar”, respondeu Gilmar. Mendonça rebateu: “Aqui não tem choro não. Respeite!”.


⚖️ Cármen Lúcia pede desculpas

Ao se manifestar, Cármen Lúcia afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” com a situação vivida pelo Supremo.

A ministra falou em “mal-estar cívico” provocado pela crise e pediu desculpas aos brasileiros. Para ela, as disputas internas acabaram afastando a sessão do assunto que deveria estar no centro do julgamento.