O medo da violência deixou de representar apenas uma preocupação e passou a determinar como grande parte das mulheres brasileiras organiza a própria rotina.

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Evitar determinados lugares, mudar trajetos, não sair à noite e avisar outras pessoas sobre seus deslocamentos estão entre comportamentos incorporados ao cotidiano.

A conclusão aparece na pesquisa “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência”, dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva (veja abaixo). O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas de todas as regiões do país e mostra que a insegurança está diretamente relacionada às experiências de violência: oito em cada 10 mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão.

O impacto aparece principalmente na liberdade de circular pelas cidades. Quase todas adotam alguma estratégia para tentar reduzir riscos, enquanto nove em cada dez evitam determinados locais.

Sair à noite, utilizar o celular na rua, caminhar sozinha ou escolher determinados meios de transporte também passam por uma avaliação constante de segurança.

Essa preocupação provoca renúncias. Seis em cada 10 mulheres já modificaram hábitos de lazer por medo da violência, mais da metade deixou de frequentar lugares de que gostava e quase metade afirma já ter aberto mão de uma oportunidade de trabalho ou estudo.

Pontos de ônibus, estações, transporte público, bares, festas e baladas aparecem entre os ambientes que provocam maior sensação de vulnerabilidade. A pesquisa aponta ainda que muitas mulheres compartilham a localização com pessoas de confiança, pedem companhia para sair ou preferem pagar por um transporte para evitar percursos a pé.

O levantamento mostra, portanto, um efeito que vai além dos crimes registrados: o medo restringe a mobilidade, interfere no lazer e influencia decisões profissionais, acadêmicas e até sobre onde morar.

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