Por muito tempo, quando alguém queria comer bem sem cozinhar, as opções eram relativamente simples: sair para um restaurante, pedir comida ou comprar algo pronto. Hoje, uma nova possibilidade vem ganhando espaço: levar o profissional da cozinha para dentro de casa.
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Entrar no grupoO personal chef, serviço já bastante conhecido em outros países, começa a conquistar um espaço cada vez maior no Brasil. E não necessariamente associado ao luxo ou a grandes ocasiões. O conceito vem se tornando mais amplo e acompanha uma mudança importante na maneira como as pessoas se relacionam com a alimentação.
O serviço pode assumir diferentes formatos. Pode ser um jantar especial para poucos convidados, um almoço de família, um café da manhã, um evento completo ou, talvez em um dos formatos que mais crescem, um dia dedicado à preparação das refeições da semana, da quinzena e até do mês.
Nesse último caso, a cozinha se transforma em uma pequena central de produção doméstica. São preparados diferentes pratos, proteínas, acompanhamentos e legumes, que depois podem ser organizados em marmitas ou armazenados em recipientes para serem combinados ao longo dos dias.
Há também quem procure esse serviço para seguir um planejamento alimentar específico, com porções individualizadas e preparações adaptadas às suas preferências.
Não por acaso, o mercado de refeições prontas também vem crescendo. Segundo levantamento divulgado recentemente, os pedidos de marmitas congeladas no iFood aumentaram 13% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Em Santa Catarina, o crescimento chegou a 23%.
Os números fazem parte de um movimento maior. Em 2025, o setor de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões no Brasil, segundo estudo da Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. O levantamento também mostra a enorme participação dos pequenos empreendedores nesse mercado.
Mas existe uma diferença interessante entre simplesmente comprar uma refeição pronta e contratar alguém para cozinhar dentro da própria casa: a personalização.
A comida pode ser pensada para aquela família, para aquela rotina e para aquelas preferências. Pode-se escolher os ingredientes, ajustar preparações, definir quantidades e decidir como as refeições serão organizadas. É uma espécie de encontro entre a praticidade contemporânea e uma característica muito antiga da cozinha: cozinhar para alguém.
Certamente, essa é uma das razões pelas quais o conceito de personal chef está ganhando novos significados.
A profissão já não está necessariamente ligada apenas à alta gastronomia ou a jantares sofisticados. Ela pode estar na rotina de uma pessoa que trabalha muito e não consegue cozinhar durante a semana; na casa de uma família que prefere ter comida fresca preparada para os próximos dias; na celebração de um aniversário; ou simplesmente na vontade de receber amigos sem passar horas na cozinha.
É interessante perceber que, ao mesmo tempo em que a tecnologia tornou possível pedir praticamente qualquer comida pelo celular, cresce também o interesse por soluções que devolvem algum grau de controle sobre aquilo que chega à mesa.
A comida pronta continua sendo prática. Mas, para muitas pessoas, praticidade já não significa apenas rapidez. Significa encontrar uma maneira de comer bem dentro de uma rotina que não permite cozinhar todos os dias.
É justamente aí que está a força desse novo movimento.
O personal chef não substitui o restaurante, o delivery ou a comida pronta. Ele ocupa outro espaço: o da cozinha particular, da comida pensada para pessoas específicas e da experiência de ter alguém cozinhando no lugar onde a vida realmente acontece.
Enfim, é uma tendência que parece falar menos sobre luxo e mais sobre tempo.
Tempo é hoje um dos ingredientes mais difíceis de encontrar. E, quando alguém cozinha por nós, entrega algo que vai muito além de uma refeição: algumas horas devolvidas à nossa rotina.
A cozinha, nesse caso, continua sendo o coração da casa. A diferença é que, cada vez mais, podemos convidar alguém para acender o fogo por nós.










