Você abre um aplicativo de navegação para descobrir o melhor caminho até algum lugar e aparece uma linha vermelha em uma avenida. O aplicativo avisa que há trânsito e, alguns minutos depois, sugere uma rota diferente para fugir daquele congestionamento.
Clique e receba notícias do extra.sc em seu WhatsApp:
Entrar no grupoMas como ele sabe que aquela rua está parada?
A resposta parece complicada, mas a ideia é relativamente simples: os aplicativos conseguem observar como os veículos estão se movimentando e identificar quando alguma coisa foge do padrão.
Google Maps, Waze e outros aplicativos de navegação utilizam diferentes fontes de informação para entender o que acontece nas ruas. Uma das principais são os próprios celulares das pessoas que estão se deslocando.
Imagine uma avenida onde normalmente os carros circulam a 50 quilômetros por hora. De repente, vários dispositivos que estão passando por aquele trecho começam a se movimentar muito mais devagar. Se isso acontece com muitas pessoas ao mesmo tempo, o sistema consegue perceber que provavelmente existe algum problema naquela região.
É como se milhares de veículos estivessem ajudando, sem perceber, a montar um grande mapa do trânsito em tempo real.
Mas os aplicativos não dependem apenas do movimento dos celulares. Eles também podem combinar essas informações com dados sobre as ruas e estradas, histórico de trânsito, obras, acidentes, bloqueios e outras ocorrências que podem afetar o deslocamento.
Alguns aplicativos ainda permitem que os próprios usuários informem situações encontradas pelo caminho, como acidentes, veículos parados, objetos na pista ou outros problemas. Essas informações ajudam a complementar o que o sistema já conseguiu identificar sozinho.
É por isso que uma mesma avenida pode aparecer verde, amarela ou vermelha no mapa. As cores representam diferentes condições de circulação. Quanto mais próximo do vermelho, mais lento tende a estar o trânsito naquele trecho.
E existe uma parte ainda mais interessante: os aplicativos não precisam esperar alguém avisar que uma avenida está congestionada.
Se dezenas ou centenas de pessoas começam a passar mais devagar pelo mesmo lugar, o sistema pode identificar essa mudança e atualizar a situação da via. Se, alguns minutos depois, os veículos voltam a circular normalmente, o mapa também pode perceber que o congestionamento diminuiu.
É justamente essa combinação de informações que permite aos aplicativos calcular o tempo estimado de uma viagem e sugerir caminhos alternativos.
E isso vai além de saber o que está acontecendo agora. Com dados históricos, os sistemas também conseguem reconhecer padrões. Uma avenida que costuma ficar congestionada todos os dias no mesmo horário, por exemplo, pode ter seu tempo de deslocamento estimado de maneira diferente de uma rua que normalmente tem trânsito livre.
Claro que isso não significa que o aplicativo esteja acompanhando individualmente cada motorista ou saiba exatamente o que está acontecendo dentro de cada carro. A tecnologia trabalha com grandes quantidades de dados de localização, deslocamento e outras fontes para identificar padrões e estimar as condições das vias.
No final, aquela linha vermelha que aparece no mapa é resultado de uma quantidade enorme de informações sendo analisadas ao mesmo tempo. O aplicativo não precisa “enxergar” toda a cidade. Ele precisa perceber como milhares de pessoas estão se movimentando por ela.
Da próxima vez que um aplicativo avisar que existe um congestionamento alguns quilômetros à frente, talvez dê para olhar para o mapa de outro jeito: por trás daquela simples linha vermelha existe um sistema tentando transformar o movimento de uma cidade inteira em uma informação que cabe na tela do seu celular.











