Aos 69 anos, Arivaldo Sampaio descobriu que poderia dar ao filho a chance de deixar a hemodiálise e retomar a vida. Em 2023, após o filho perder a função do único rim que tinha, os exames apontaram compatibilidade total entre pai e filho.

Clique e receba notícias do extra.sc em seu WhatsApp:

Entrar no grupo

Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo.

Arivaldo Sampaio
A cirurgia foi bem-sucedida e, segundo Arivaldo, o filho já saiu com o novo rim funcionando. Três anos depois, o doador mantém uma rotina de atividades físicas pelo menos cinco vezes por semana e realiza acompanhamento médico anual.

A idade, isoladamente, não impede a doação em vida. Segundo o nefrologista Geraldo Freitas, pessoas com mais de 60 anos passam por avaliação mais cuidadosa, que considera a função dos rins, condições cardiovasculares e a presença de doenças como hipertensão e diabetes.


💚 Um rim com 111 anos

criança_creche_bnreprodução/TV GloboOutra história de doação chamou atenção neste domingo (27), em reportagem exibida pelo "Fantástico", da TV Globo. Um rim transplantado em 1969 continua funcionando 57 anos depois e chegou aos 111 anos de idade biológica.

O órgão pertencia a Guiomar, que tinha 54 anos quando o doou à filha, Maria Célia Lamounier, diagnosticada com insuficiência renal ainda jovem. Na época, os transplantes ainda eram uma novidade no Brasil.

As duas estabeleceram um recorde: o rim tornou-se o órgão mais antigo do mundo transplantado e ainda funcionando em uma pessoa viva.

Eu fiquei nove meses dentro da minha mãe e, hoje, ela está aqui dentro de mim. Viva. Muito mais tempo dentro de mim. E vai ficar.

Maria Célia Lamounier
Segundo o nefrologista José Medina Pestana, o caso é excepcional, já que a maioria dos rins transplantados permanece funcionando entre 20 e 30 anos.


💚 Setembro Verde

As histórias ganham ainda mais significado durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos.

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, o maior número já alcançado. Apesar disso, 49,4 mil brasileiros aguardam atualmente na fila por um transplante.

No caso da doação em vida, é possível doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões. Parentes de até quarto grau e cônjuges podem realizar a doação sem autorização judicial. Fora desses vínculos, é necessária autorização da Justiça.