Estamos a poucos dias da eleição que vai escolher presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e estaduais. Aqui, no nosso chão, na região da Amurel, vivenciamos mais uma vez o movimento pelo voto regional.

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O incentivo ao voto regional é, sem dúvida, salutar. Promovido há algumas eleições por entidades empresariais e institucionais, busca conscientizar os eleitores a direcionarem seus votos para candidatos “daqui”. É justamente esse “daqui”, entretanto, que merece uma reflexão mais profunda.

Para o pleito que se aproxima, algumas listas de candidatos “daqui” que circulam na imprensa apontam 16 candidatos a deputado estadual e nove a deputado federal ligados à Amurel. Mas será que basta ser da Amurel

Temos candidatos que podem bater no peito e mostrar que já contribuíram para o desenvolvimento regional, seja por meio de cargos públicos que ocuparam, de recursos que conquistaram, de atividades empresariais ou de liderança em áreas específicas.

Outros apenas apresentam projetos para o futuro, alguns com direcionamentos estratégicos; outros, porém, limitam-se a propostas genéricas, como o conhecido “vou lutar pela saúde, pela educação, pela segurança...”.

Se seguirmos à risca a ideia de votar exclusivamente em candidatos “daqui” e promovermos o espraiamento dos mais de 301 mil votos da região entre 16 candidatos a deputado estadual e nove a deputado federal, alguns deles com pouca expressão eleitoral, corremos o risco de deixar sem condições de vitória justamente aqueles que, mesmo não sendo “daqui”, poderiam apresentar contribuições relevantes para o desenvolvimento regional.

Mas, para isso, há uma condição fundamental: esses candidatos precisam apresentar projetos consistentes, alinhados às nossas prioridades e capazes de responder às demandas concretas da região. Precisam, também, comunicar adequadamente suas propostas aos nossos eleitores e assumir compromissos efetivos com a região ao longo do possível mandato.

Em segundo lugar, partidos e lideranças regionais precisam discutir estratégias e apoiar candidaturas com densidade política e eleitoral suficientes para representar a Amurel, e não apenas candidaturas destinadas a compor chapas ou servir de apoio eleitoral para projetos de candidatos que, definitivamente, não são “daqui”.

É evidente que a decisão de disputar uma eleição é legítima para qualquer cidadão. A participação popular, ampla e democrática, é um dos pilares fundamentais da democracia. Não se pode, portanto, questionar o direito de ninguém de se candidatar.

Mas o sucesso eleitoral e, principalmente, a possibilidade de transformar um mandato em instrumento efetivo de desenvolvimento regional exigem estratégia, organização e clareza sobre as nossas prioridades.

No caso de deputado estadual em Santa Catarina, uma candidatura competitiva precisa alcançar uma votação expressiva. Imaginar que os votos da região possam ser pulverizados entre mais de uma dúzia de candidatos estaduais é correr o risco de, ao final, não eleger ninguém.

Desde o período em que fui pró-reitor da UniSul, passando pelas entidades e movimentos dos quais tive a oportunidade de participar, até a presidência da Fundação InoversaSul, o desenvolvimento regional sempre esteve entre as pautas que defendi.

O voto regional também sempre fez parte dessa agenda e continua merecendo meu apoio e minha defesa intransigente, como agora com o movimento promovido pelo Conset.

Mas talvez seja hora de ampliarmos o conceito de “voto regional”. Ser “daqui” não deveria ser apenas uma questão de endereço. Deveria significar compromisso, conhecimento da realidade regional, capacidade de articulação e, sobretudo, disposição para transformar representação política em resultados concretos.

Espero, portanto, que nas próximas eleições tenhamos mais projetos, mais ações e mais candidaturas sólidas, daquelas que possamos, com convicção, reconhecer e defender como verdadeiramente “daqui”.


*Os artigos publicados nesta seção expressam exclusivamente a opinião de seus autores e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial do extra.sc.