Se você acompanhou debates, entrevistas ou notícias sobre a eleição presidencial de 2026, provavelmente ouviu falar das “terras raras” do Brasil. O tema apareceu em discussões sobre soberania, mineração e desenvolvimento da indústria. Mas, afinal, o que são essas terras tão disputadas?
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Entrar no grupoPara começar, elas não são exatamente “terras”. O termo identifica um grupo de 17 elementos químicos, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. E eles também não são necessariamente raros.
Esses elementos estão espalhados pelo planeta. O desafio é encontrá-los em concentrações que permitam a exploração e o processamento de maneira economicamente viável. É aí que começa uma disputa envolvendo algumas das maiores potências do mundo.
⚙️ Para que servem?
imagem gerada por IAMesmo que você nunca tenha ouvido falar em neodímio ou térbio, provavelmente utiliza produtos que dependem de terras raras todos os dias.
Elas estão em smartphones, computadores, equipamentos médicos, carros elétricos e turbinas eólicas. Uma das principais aplicações está nos ímãs permanentes, que permitem fabricar componentes potentes, menores e mais leves.
Também são importantes para a indústria militar, com aplicações em aviões de caça, submarinos e drones. Por isso, garantir o acesso a esses elementos se tornou uma questão econômica, industrial e estratégica.
🇧🇷 E o que o Brasil tem a ver com isso?
Muito. O Brasil possui reservas estimadas em 21 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior quantidade conhecida do planeta, atrás apenas da China, com cerca de 44 milhões.
Mas ter reservas não significa dominar o mercado. Enquanto o Brasil produziu cerca de 2 mil toneladas em 2025, a produção chinesa chegou a aproximadamente 270 mil. A China ainda responde por mais de 70% da extração mundial e cerca de 87% do processamento.
Ou seja: não basta retirar o mineral do solo. É preciso separar, refinar e transformá-lo para utilização pela indústria.
📍 Onde estão as terras raras brasileiras?
Existem ocorrências e projetos em diferentes regiões do país, incluindo Goiás, Minas Gerais, Bahia e Amazonas.
Um dos principais exemplos está em Goiás, onde funciona a mina Pela Ema, da Serra Verde. Em abril, a norte-americana USA Rare Earth anunciou um acordo de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para adquirir a empresa, chamando atenção para a importância estratégica das reservas brasileiras.
🌎 Por que Estados Unidos e China aparecem nessa história?
A China domina não apenas a mineração, mas principalmente o processamento das terras raras e a fabricação de produtos como ímãs.
Os Estados Unidos buscam diversificar seus fornecedores e reduzir essa dependência. Nesse cenário, as grandes reservas do Brasil ganham importância.
A disputa, portanto, não é apenas por aquilo que está no subsolo, mas também por quem terá acesso aos minerais e dominará as tecnologias necessárias para transformá-los em produtos.
🗳️ Por que se falou tanto nisso na eleição?
Getty Images | Maira Erlich/Bloomberg | Rovena Rosa/Agência BrasilO assunto chegou diretamente à campanha presidencial de 2026. Os candidatos apresentaram propostas diferentes, mas vários defenderam que o Brasil avance além da simples extração e exportação.
Lula (PT) enfatizou a soberania e a agregação de valor no país. Flávio Bolsonaro (PL) defendeu maior participação privada e cooperação internacional. Ronaldo Caiado (PSD) propôs usar acordos internacionais para obter tecnologia e desenvolver a indústria brasileira.
Por isso, a discussão eleitoral envolveu uma questão central: como transformar as reservas brasileiras em tecnologia, indústria e desenvolvimento dentro do próprio país.
💎 Então o Brasil é uma potência das terras raras?
Em reservas, sim. Na produção e, principalmente, no processamento, a situação é bem diferente.
O Brasil possui aproximadamente metade das reservas estimadas da China, mas produz menos de 1% do volume chinês.
Esse contraste resume a discussão: o país possui alguns dos elementos mais cobiçados pela indústria tecnológica mundial, mas o desafio é transformar essa riqueza mineral em produtos, tecnologia, empregos e valor agregado.









