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Nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite

Blog do Dal Molin

Nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite

Foto: Reprodução

Ao longo de dois anos ficamos escutando para acreditar na ciência. Fomos bombardeados dia e noite. Com cientistas, pseudocientistas, celebridades e imprensa. Uma avalanche de pedidos para ciência.

Pois bem, a economia também é uma ciência que se bem aplicada e gerida apresenta ótimos resultados, principalmente para que não tenta inventar a roda. Passamos as últimas décadas tentando, Planos Cruzado I e II, Bresser, Verão, Planos Collor I e II, Marcílio, Plano Real e por último Plano Mais Brasil.

Mas a ciência econômica, tem duas coisas que são fundamentais para dar certo, e sempre se tem um olhar para elas. A primeira é que se deve atuar sabendo que existe a escassez, os recursos são limitados. O dinheiro por exemplo é limitado.

E, a segunda está relacionada com o comportamento das pessoas. Quanto mais pessoas, mas necessidades se apresentam e essas necessidades são ilimitadas, ou seja, querem sempre mais coisas (serviços, produtos etc.). Para demonstrar apresento a seguinte situação.

Você tem uma renda fixa (salário, pró-labore, aluguel) e tem uma empregada doméstica em sua casa. Um dia decide mudar seu hábito de consumo, pois pensa que fazendo isso irá crescer economicamente. Assim inicia investir em bens de consumo como eletrônicos, carros, celulares e bens supérfluos. Bom como sua renda é fixa, não estica, você tem a maravilhosa ideia de pegar um empréstimo.

Vai ao seu banco e pede um empréstimo e para ajudar resgata aquela poupança dos filhos, e, claro aumenta seus rendimentos. Bom se você já está gastando seu pequeno investimento da poupança, fazer uma aposentadoria é algo que você nem pensa. Você não controla seus gastos, simplesmente gasta.

Com dívidas e chegando dia da fatura do cartão de crédito, você resolve dar uma pedalada, e pagar somente os juros dessa sua dívida e continua comprando mais, pois você cresceu e aumentou seu nível. Na verdade, você só aumentou na verdade o seu nível de gastos e de consumo (mais pessoas = mais despesas).

Passa o tempo e você não faz investimentos ou reformas em seus bens e ao invés de cortar gastos resolve consumir mais e dar emprego a mais uma empregada doméstica, um lavador de carros (um quase lava-jato) e um jardineiro. Suas receitas ainda continuam as mesmas, mas sua dívida aumentou.

Para tentar pagar essas novas dívidas, você tem a brilhante ideia ir novamente em seu banco e fazer uma composição e juntar todas suas dívidas que possui, em uma só dívida. Vai fazer uma renovação de contrato, pagando juros maiores em um novo prazo lá na agenda 2030 da ONU. A instituição pensa e resolve te emprestar mais um pouco de capital, para suas férias e final de ano, pois você merece. Assim, oferecem novamente e você pega mais recursos para manter esse seu padrão consumo.

Como está já sem dinheiro você dá uma pedala nessa situação, promete pagar um pouco, depois pagar mais outro pouco, mas na verdade paga somente o necessário, ou seja, paga o valor que dá. Paga só o cobrador da dívida da vez, aquele que bate na porta. Atrasa plano de saúde, a educação dos filhos, etc. E, continua não fazendo nenhuma economia.

Quase quebrado financeiramente sem qualquer poupança, você resolve contratar mais um auxiliar, e tem a ideia que se consumir mais para poder sair dessa sua crise, pois se você fizer economia irá ter que demitir seus auxiliares e isso irá gerar um grande desconforto em sua casa com seus familiares. Consumir mais não dá e talvez produzir mais também não dê, pois você não se preocupou com investimentos e com a infraestrutura necessária. E, para completar está sem crédito e todos seus equipamentos estão depreciados e sem capacidade de produção o que gera falta de competitividade.

Pois bem, todos nós vivemos isso nos anos 2014, 2015 e 2016. A tal “Nova Matriz Econômica”. Uma vergonha, zero ciência econômica. Economia rasgada e jogada fora.

Nos últimos dois anos, conseguimos garantir novamente um ajuste fiscal. Enquadramos um crescimento mundial, inflação controlada. Falta ainda muita coisa, mas era um respiro com olhar no futuro, baseado na ciência.

“Economia de Mercado” mesmo com defeitos, ela ainda é o mais eficiente meio de alocação de bens e serviços de acordo Adam Smith, Milton Friedman, Franco Modigliani, Douglas North, Kennety Arrow, Gérard Debreu, John Nash, Maurice Allais e muitos outros. A economia deve ser organizada em bases descentralizadas para ser eficiente usando da melhor maneira possível os recursos escassos e criando equilíbrio de mercado e claro usando o chamado “Ótimo de Pareto”.

Agora após eleições o governo vencedor, deseja aplicar os mesmos moldes que foram aplicados nos anos passados, em especial de 2014 até 2016 pelo mesmo grupo de pensadores. Furar muito o teto de gastos, aplicar e ampliar benesses, criar uma falsa renda com empréstimos e uma grande quantidade de empregados. Falta lembrar que os recursos são limitados, o dinheiro é um, lembra?

O problema é que novas necessidades já foram prometidas, e o mercado já está vendo a falta de conhecimento na ciência.

Lembro sempre da frase de Peter Drucker: “Nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite”, no nosso caso seria: “Nenhum país é melhor do que seu governante permita”. Administre seu negócio, vamos precisar. E, viva a ciência econômica, será?

 

Dica de Livro

Os erros fatais do Socialismo: Por que a teoria não funciona na prática – Hayek

Neste livro, Friedrich A. Hayek apresenta um exame fundamental e crítico das ideias centrais do socialismo. Ele argumenta que o socialismo, desde as suas origens, foi confundido com algo embasado em fundamentos científicos e factuais, e mesmo lógicos, mas que seus repetidos fracassos, nas muitas e diferentes aplicações práticas que o mundo testemunhou, foram o resultado direto desse equívoco conceitual.

HAYEK, Friedrich A. Os erros fatais do Socialismo: Por que a teoria não funciona na prática. 1ed. Barueri SP: Faro Editorial, 2017.

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