CASO BRUMADINHO: CPI afirma que companhia sabia dos riscos e pede o indiciamento de dirigentes da Vale
Por Vitor Poeta
•Atualizado há 2 dias
Após seis meses de investigação, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho aprovou relatório final, na tarde desta quinta-feira (12), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. O documento, que foi aprovado por unanimidade, pediu o indiciamento de 13 funcionários da Vale e da TÜV SÜD, inclusive da diretoria da mineradora por homicídio doloso eventual, quando se assume o risco de mortes.
Nas palavras do relator da CPI, o Deputado André Quintão (PT/MG): "Foi um crime, crime doloso, com dolo eventual, e cabe à CPI apresentar a sugestão de indiciamento"
Além do crime de homicídio, em tese, pratico com dolo eventual, a CPI solicita que 13 pessoas respondam por lesão corporal e crime de dano, são elas:
Fábio Schvartsman – diretor-presidente da Vale à época do rompimento
Gerd Peter Poppinga - diretor-executivo de Ferrosos e Carvão da Vale
Lúcio Flávio Gallon Cavalli - diretor de Planejamento da Vale
Silmar Magalhães Silva – diretor operacional de Pelotização e Manganês Sul-Sudeste da Vale
Renzo Albieri Guimarães Carvalho - gerente de Geotecnia da Vale
Alexandre de Paula Campanha - gerente executivo de Geotecnia Corporativa da Vale
Joaquim Pedro de Toledo - gerente-executivo de Planejamento e Programação do Corredor Sudeste da Vale
Rodrigo Artur Gomes Melo - gerente-executivo do Complexo Paraopeba da Vale
César Augusto Paulino Grandchamp - geólogo da Vale
Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo - gerente de Geotecnia Corporativa e Gestão de Risco da Vale
Cristina Heloiza da Silva Malheiros - engenheira geotécnica da Vale e responsável pela Barragem B1
André Jum Yassuda – auditor da Tüv Süd
Makoto Namba – auditor da Tüv Süd
O relatório, ainda, considerou que a Vale praticou poluição qualificada e danos à fauna aquática. O relatório, além de nomear os responsáveis pela tragédia, faz mais de uma centena de recomendações a órgãos públicos, com o intuito de evitar novos desastres na atividade de mineração.
Vale salientar, ainda, que o geólogo César Grandchamp e os dois auditores da Tüv Süd foram indiciados pela falsificação dos laudos que permitiram a Mina Córrego do Feijão a continuar a operar, apesar de o fator de segurança estar abaixo do recomendado.
Notas
Em nota, a Mineradora em questão afirmou que não concorda com a sugestão do indiciamento de seus funcionários e executivos. Já a TÜV SÜD destacou que não comentará o relatório.
Tendencioso
Policiais federais envolvidos nas investigações consideraram tendencioso o relatório. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, para os policiais, os parlamentares foram mais políticos do que técnicos.
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