Empresário confessa pagamento de propina a prefeitos de Garopaba e Pescaria Brava
Joaquim Pacheco detalhou esquema de R$ 1,4 milhão.

Joaquim Pacheco detalhou esquema de R$ 1,4 milhão.

A investigação da Operação Coleta Seletiva ganhou novos desdobramentos com o depoimento do empresário Joaquim da Silva Pacheco. No relato à Polícia Civil, o dono da Resamb, empresa responsável pela coleta de lixo em Garopaba, detalhou um esquema de corrupção sistêmica que envolveria o prefeito do município, Junior de Abreu Bento (PP), e o atual prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro de Souza (PP), então secretário de Administração de Garopaba. As informações são do portal Garopaba.sc.
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Entrar no grupoSegundo o depoimento, as irregularidades teriam começado em 2021, logo no início da gestão. Pacheco afirmou que, ao procurar a prefeitura para tratar de notas fiscais em atraso, foi encaminhado por Junior ao então secretário Luiz Henrique. O empresário sustenta que o hoje prefeito de Pescaria Brava teria exigido inicialmente R$ 50 mil para liberar os pagamentos, valor que foi renegociado para R$ 25 mil mensais e pago entre janeiro e abril daquele ano.
Conforme o relatório policial, os valores teriam subido para R$ 30 mil mensais a partir de maio, sob a justificativa de "ajudar o chefe". O esquema teria continuado sob a gestão de outros secretários e, em 2023, o valor foi ajustado para R$ 20 mil. O empresário confessou ainda ter entregue dinheiro pessoalmente nas mãos do prefeito Junior em duas ocasiões, nos meses de setembro e novembro de 2025.
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Foto: Reprodução/Polícia Civil[/caption]
No total, a Polícia Civil estima que o esquema tenha movimentado R$ 1,43 milhão em vantagens indevidas ao longo de cinco anos. As provas incluem saques bancários e dados telemáticos que coincidem com as datas das reuniões citadas no inquérito.
Com base na confissão e no risco à ordem pública, a Polícia Civil pediu ao Tribunal de Justiça a manutenção da prisão preventiva do empresário, do prefeito Junior e de um servidor público de Garopaba. A investigação aponta que houve pressão para a continuidade dos pagamentos mesmo após o início da operação policial, o que demonstra tentativa de obstrução da justiça.
Em nota enviada à imprensa no último dia 14, a defesa de Junior de Abreu Bento afirmou que a prisão é provisória e não representa culpa, ressaltando que não foram identificados indícios de interação direta entre o prefeito e o empresário.
Já Luiz Henrique Castro, que segue em liberdade, publicou um vídeo no dia da operação afirmando que recebeu as autoridades para colaborar com a investigação, e ressaltou que o caso não possui relação com o município de Pescaria Brava.
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