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Seu time pode ser obrigado a virar SAF e o motivo não é esportivo

Atualizado há 3 minutos
Seu time pode ser obrigado a virar SAF e o motivo não é esportivo

imagem gerada por IA

Resumo da Notícia

Não tem nada a ver com rebaixamento, má fase em campo ou falta de títulos. O que está empurrando muitos clubes brasileiros para o modelo de SAF é algo bem menos visível para o torcedor, mas extremamente pesado para o caixa: imposto.

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A reforma tributária que está sendo discutida e implementada no Brasil está causando um impacto real e imediato no custo de manter um clube de futebol organizado como associação civil, e isso tem gerado conversas entre torcedores, dirigentes e advogados sobre o futuro financeiro das agremiações. Em termos simples, a nova regra tributária altera os impostos que clubes pagam e tende a deixar quem ainda é associação civil em desvantagem em relação àqueles que adotaram o modelo empresarial conhecido como SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

Atualmente, clubes que continuam como associações, como Flamengo, Corinthians e Palmeiras, deverão pagar cerca de 15,6% da sua receita em tributos quando a reforma estiver em pleno vigor. Em contraste, clubes organizados como SAF, como Botafogo, Cruzeiro e Atlético Mineiro, seguem pagando uma alíquota total de cerca de 6% sobre a receita, que já inclui tributos e encargos específicos do modelo empresarial. Essa diferença de alíquota representa milhões de reais a mais para quem permanece como associação, reduzindo a quantidade de recursos disponíveis para contratar jogadores, melhorar a estrutura ou investir nas categorias de base.

Um exemplo concreto ajuda a entender isso: um clube que fatura R$ 1 bilhão por ano, se continuar como associação civil, pagaria em torno de R$ 106 milhões em tributos sem contar o INSS, que elevaria ainda mais esse valor. Se esse mesmo clube optasse por organizar sua operação de futebol como SAF, a carga tributária cairia para cerca de R$ 60 milhões, mantendo muito mais recursos disponíveis para investimentos esportivos e estruturais.

Essa diferença não é apenas matemática: no futebol de elite ela pode significar décadas de milhões de reais a mais ou a menos no caixa de um clube, o que, ao longo de uma temporada, pode influenciar contratações, salários, infraestrutura e competitividade em campo. Por esse motivo, muitos especialistas consideram que a migração de associações civis para o modelo SAF passa a ser uma opção financeiramente mais lógica, ainda que, no plano político e institucional, essa transição seja um processo mais complexo.

Vale explicar também o que é a SAF de forma acessível. A Sociedade Anônima do Futebol é uma forma jurídica criada pela Lei 14.193/2021 que permite a um clube estruturar o seu departamento de futebol como uma empresa. Essa empresa paga tributos semelhantes aos das demais empresas no Brasil, tem regras claras de governança e pode captar investimentos de forma formal.

Entretanto, um ponto fundamental que muitos torcedores confundem é o seguinte: virar SAF não significa automaticamente vender o clube para um investidor externo ou perder a identidade da agremiação. O modelo jurídico da SAF permite que o próprio clube, por meio da sua associação civil, seja acionista dessa empresa. Em outras palavras, o clube pode criar uma SAF e manter grande parte ou até 100% das ações em nome da sua própria associação, preservando o controle institucional e a ligação com a torcida.

Essa configuração é importante porque tranquiliza os torcedores e os membros de conselhos deliberativos: a migração para a SAF não é uma sentença de privatização irrestrita ou de perda da história e da identidade do clube. Ela é, antes, uma forma de reorganizar juridicamente o futebol do clube para responder a um ambiente tributário mais exigente e competitivo, mantendo a entidade de origem como principal acionista ou definindo, em estatuto, mecanismos de governança que preservem os interesses dos associados e da coletividade.

Assim, a discussão sobre SAF no contexto da reforma tributária deve ser vista como uma reflexão estratégica, tributária, financeira e institucional que envolve decisões sobre como garantir a sustentabilidade do futebol do clube no longo prazo, sem que isso signifique abrir mão da sua alma, do seu passado ou de sua ligação com a torcida.