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Rhuan Peron Nazário

Por que existem prédios tortos em Santos?

Atualizado há 43 minutos
Por que existem prédios tortos em Santos?

A Tribuna Jornal

Resumo da Notícia

Você provavelmente já ouviu falar dos “prédios tortos de Santos (SP)”. Quem passa pela orla da cidade, ou até mesmo vê imagens pela internet, costuma se impressionar com edifícios visivelmente inclinados.

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Em determinados casos, pisos desnivelados, portas que se movimentam sozinhas e objetos “rolando” acabam chamando a atenção. Apesar da aparência preocupante para quem não conhece o assunto, esse fenômeno possui uma explicação técnica bastante conhecida pela engenharia.

Os chamados “prédios tortos de Santos” são resultado, principalmente, de um fenômeno chamado recalque diferencial, que ocorre quando partes da estrutura afundam mais do que outras ao longo do tempo. E o principal motivo está justamente no tipo de solo existente na região da orla santista.

Grande parte da área foi construída sobre solos muito compressíveis, com presença de areia fofa, argilas moles e elevado nível de água subterrânea.

Na época em que essas obras começaram, por volta da década de 1960, os estudos geotécnicos ainda eram limitados, e muitos edifícios utilizavam fundações rasas, que transferiam as cargas para camadas superficiais do terreno.

Na engenharia, existe um conceito chamado bulbo de tensão, que representa a forma como o peso da edificação se distribui no solo abaixo da fundação. Quanto maior o peso da estrutura, maior é a influência dessas tensões nas camadas inferiores do terreno.

O problema em Santos é que, com muitos edifícios construídos próximos uns dos outros, esses bulbos de tensão passaram a se sobrepor.

Na prática, isso significa que o solo passou a receber influência simultânea da carga de diferentes prédios ao redor, aumentando ainda mais a compressão do terreno.

Como o solo da região já possuía baixa capacidade de suporte, começaram a ocorrer deformações e afundamentos graduais. E, como essas movimentações não aconteciam de maneira uniforme, algumas partes dos edifícios cederam mais do que outras, gerando as inclinações.

Apesar da aparência curiosa, muitos desses prédios continuam habitados até hoje, porque inclinação não significa necessariamente risco imediato de desabamento.

Em diversos casos, os recalques acabaram se estabilizando, embora os edifícios sigam sendo monitorados tecnicamente.

Os prédios tortos de Santos acabaram se tornando um dos exemplos mais conhecidos da engenharia brasileira sobre a importância dos estudos de solo e das fundações.

No fim das contas, esses edifícios mostram uma realidade que muitas vezes passa despercebida: antes mesmo de olhar para o projeto da estrutura de um prédio, é preciso entender perfeitamente aquilo que está abaixo dele.