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Acorsi e Botega

"Não assinei, então não tem validade." Será?

Atualizado há 21 horas
"Não assinei, então não tem validade." Será?

imagem gerada por IA

Resumo da Notícia

"Eu não assinei nada." Essa talvez seja uma das frases mais repetidas quando surge uma cobrança ou um conflito envolvendo um negócio. A ideia é simples: sem assinatura, não existe contrato. Mas essa crença nem sempre corresponde ao que diz a lei.

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Com a tecnologia, a forma de contratar mudou. Hoje é comum comprar um imóvel após negociar por mensagens, contratar um serviço pelo WhatsApp, aprovar um orçamento por e-mail ou fechar um negócio com poucos cliques. Em muitos desses casos, sequer existe um contrato em papel.

Isso não significa que o acordo seja inválido.

O que a Justiça procura verificar é se as partes realmente chegaram a um entendimento e passaram a agir de acordo com o que foi combinado. Se uma empresa envia um orçamento, o cliente responde "pode fazer", o serviço é executado e, depois, o cliente tenta se defender dizendo que nunca assinou um contrato, essa alegação, por si só, dificilmente será suficiente para afastar a obrigação de pagar.

Esse tipo de situação já é bastante comum nos tribunais brasileiros. Há inúmeras decisões reconhecendo a validade de negociações realizadas por WhatsApp e e-mail, desde que seja possível comprovar a autenticidade das mensagens e a manifestação de vontade das partes.

Imagine outro exemplo: alguém encomenda móveis planejados, escolhe o projeto, aprova o orçamento por mensagens, acompanha a fabricação e recebe a instalação. Depois de tudo pronto, resolve alegar que não precisa pagar porque nunca assinou um contrato. Em uma situação como essa, a Justiça tende a analisar o conjunto das provas, e não apenas a existência ou não de uma assinatura.

Isso acontece porque o Direito valoriza a boa-fé. Em outras palavras, ninguém pode se beneficiar de um acordo quando lhe convém e, depois, negar sua existência apenas porque ele não foi formalizado em papel.

É claro que um contrato escrito continua sendo a forma mais segura de evitar problemas. Um documento bem elaborado define os direitos e deveres de cada parte, reduz dúvidas e facilita a solução de eventuais conflitos.

Por isso, antes de acreditar na frase "não assinei, então não tem validade", vale lembrar que, muitas vezes, um acordo comprovado pode ter o mesmo valor jurídico de um contrato assinado.