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Rita Nogarede

A onda da proteína

Atualizado há 14 horas
A onda da proteína

Freepik

Resumo da Notícia

De repente, tudo tem proteína. Iogurte proteico, pão proteico, barrinha proteica, sobremesa proteica, cereal proteico, bebida proteica. A palavra ganhou status de protagonista nas embalagens e, impulsionada pela onda wellness, tornou-se quase um sinônimo de produto saudável.

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Não há dúvida de que a proteína é importante. Ela participa da construção e manutenção dos músculos, dos tecidos e de diversas funções do organismo. Para quem pratica atividade física, especialmente treinos de força, corrida ou outras modalidades de maior intensidade, uma alimentação adequada em proteínas é ainda mais relevante.

O problema começa quando a proteína passa a ser usada como argumento suficiente para transformar qualquer produto em "saudável".

É preciso olhar além da frente da embalagem. Um alimento pode ter uma quantidade interessante de proteína e, ao mesmo tempo, trazer uma longa lista de ingredientes, excesso de açúcar, sódio, gorduras ou aditivos. O rótulo pode destacar a proteína em letras grandes, enquanto as demais informações ficam discretamente na parte de trás.

E não é apenas a indústria que entrou nessa onda. Nós também entramos. Existe hoje uma espécie de obsessão por atingir determinada quantidade de proteína, como se todas as pessoas tivessem as mesmas necessidades. Mas um indivíduo sedentário, alguém que faz musculação regularmente, um corredor ou um atleta de alto rendimento têm necessidades diferentes.

Mais proteína não significa, necessariamente, melhor alimentação.

Outro ponto que merece atenção é que, no meio de tantas opções industrializadas, podemos acabar esquecendo que a proteína sempre esteve presente nos alimentos que conhecemos. Carnes, peixes, ovos, leite e seus derivados são fontes de proteína animal. Feijões, lentilhas, grão-de-bico, ervilhas, soja, castanhas e sementes também podem fazer parte dessa conta, oferecendo proteína de origem vegetal.

A questão não é escolher entre "proteína animal" ou "proteína vegetal", mas construir uma alimentação variada e equilibrada, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Também é importante lembrar que músculo não se constrói apenas com proteína. Treino adequado, energia suficiente, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais, hidratação, descanso e sono fazem parte desse processo. O corpo não funciona a partir de um único nutriente.

A maior armadilha dessa nova febre é transformar uma necessidade nutricional em uma estratégia de marketing. A indústria percebeu que estamos preocupados com saúde, longevidade e desempenho e encontrou na proteína uma excelente maneira de vender seus produtos.

Por isso, antes de escolher o produto "com mais proteína", vale uma pergunta simples: o que mais existe dentro dessa embalagem?

A proteína é importante, sim. Mas alimentação saudável não pode ser uma competição para descobrir quem consome mais.

Talvez seja mais interessante voltar ao básico: comida de verdade, variedade, equilíbrio e uma quantidade de proteína adequada ao nosso corpo, à nossa rotina e ao nosso nível de atividade.

Quando a saúde vira tendência, é sempre bom lembrar que nem tudo o que está escrito em letras grandes na embalagem merece ocupar um espaço tão grande na nossa alimentação.