Poucas comidas combinam tanto com o inverno quanto o fondue.

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Ele é mais do que uma receita: é uma experiência. Uma panela no centro da mesa, o fogo mantendo o preparo aquecido, pedaços de pão, carnes ou frutas sendo mergulhados no queijo, no óleo, no caldo ou no chocolate e, ainda, preparados na pedra aquecida. E, principalmente, pessoas reunidas ao redor da mesma panela.

A palavra fondue vem do francês fondre, que significa derreter. A origem está associada à Suíça e às regiões alpinas, embora a história do prato seja mais complexa do que a imagem romântica de uma receita criada por camponeses em uma cabana coberta de neve.

A primeira receita conhecida de queijo derretido com vinho e pão para acompanhar foi registrada em um livro publicado em Zurique, em 1699.

O curioso é que o fondue nem sempre foi um prato nacional suíço. Foi principalmente no século XX, com campanhas de divulgação da União Suíça do Queijo, que ele ganhou esse status e passou a representar a identidade gastronômica do país.

Na versão tradicional suíça, queijos como gruyère e Vacherin Fribourgeois são derretidos com vinho branco e servidos no caquelon, a panela própria para o preparo, mantida aquecida por um pequeno fogareiro. Pedaços de pão são espetados em garfos longos e mergulhados no queijo.

Mas o fondue atravessou fronteiras e ganhou novas versões. Vieram o fondue de carne, preparado em óleo, caldo ou pedra, e o de chocolate, servido com frutas e outros acompanhamentos. No Brasil, essas adaptações se tornaram especialmente populares durante o inverno.

E foi no sul do país que o fondue encontrou um cenário quase perfeito. Na Serra Gaúcha, cidades como Gramado (RS) e Canela (RS) transformaram o prato em um dos grandes símbolos gastronômicos da estação mais fria do ano.

Em Gramado (RS), o primeiro restaurante a servir fondue foi inaugurado em 1974. Cinquenta anos depois, a preparação já estava completamente incorporada à identidade turística e gastronômica da região.

O interessante no fondue não é exatamente o que se coloca dentro da panela, mas a maneira como ele é comido.

Diferentemente de muitos pratos que chegam prontos à mesa, o fondue pede participação. Cada pessoa prepara seu pedaço, escolhe o acompanhamento, espera, conversa, experimenta. Não é uma refeição apressada. É uma comida que cria um ritual.

Justamente por isso, o fondue tem atravessado tantos países e culturas. Porque existe algo muito humano em colocar a comida no centro da mesa e fazer dela um motivo para permanecer ali.

Em tempos de refeições cada vez mais rápidas, comer fondue é quase um convite para desacelerar. Para conversar mais, olhar menos para o relógio e lembrar que uma refeição também pode ser um momento de convivência.

O verdadeiro ingrediente do fondue não é o queijo, o vinho ou o chocolate: é o tempo.

Tempo para preparar, para comer e, principalmente, para estar à mesa com quem importa.