O Brasil tem um assunto nesta semana, e ninguém precisa de pesquisa para saber qual é. O caminho natural desta coluna seria comentar o cenário eleitoral. Escolhi olhar para o lado, porque é ali que está o assunto que vai bater à porta de todos em janeiro.
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Entrar no grupoA eleição define quem governa pelos próximos quatro anos. O que muda na sua segunda-feira, porém, já começou a ser decidido, em boa parte por omissão. Pesquisa da Resenha Company, feita em agosto com 100 executivos, mostra que 87,5% já sentem o cenário eleitoral mexer no planejamento.
Quase 40% relatam clientes e fornecedores adiando decisões, e 28% admitem que a própria empresa está parada, esperando as urnas. Outros 20,3% fizeram o inverso e anteciparam movimentos para escapar da névoa. Esperar também é uma decisão, e costuma ser a mais cara.
Enquanto se espera, o caixa não rende, a equipe não se forma e o concorrente que não esperou ocupa o espaço. Esse custo não aparece na demonstração financeira, mas chega com atraso, na forma de oportunidade perdida.
Há um detalhe que o noticiário trata como assunto de especialista e que é de todos.
Em 1º de janeiro de 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir, a CBS entra em vigor em alíquota cheia e o Imposto Seletivo passa a ser cobrado. Nada disso depende do resultado de domingo, e só uma nova emenda constitucional mudaria o calendário.
Levantamento de julho mostrava que mais da metade dos empresários ainda engatinhava nessa conversa. E há uma inversão que passa quase despercebida: a CBS começa a valer quatro dias antes de o novo presidente tomar posse, em 5 de janeiro, e cinco antes de os governadores assumirem, em 6. O relógio do imposto corre antes de quem ganhou sentar na cadeira.
Em ano de eleição, existe a tentação de transferir a responsabilidade e esperar uma definição de política econômica. É compreensível e é perigoso: o país tem o direito de esperar até domingo; a sua empresa, não. Quem administra caixa, contrato e gente trabalha com prazo e custo fixo, e janeiro chega todos os anos, independentemente de quem ganhou.
Véspera é lugar de espectador. Quem decide já devia estar em 2027.










