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Caetano Torcelli

Dor crônica: por que ela persiste mesmo sem lesão aparente?

Atualizado há 1 minuto
Dor crônica: por que ela persiste mesmo sem lesão aparente?

imagem gerada por IA

É comum ouvir de pacientes a seguinte frase: “meu exame não deu nada, mas eu continuo com dor”. Essa situação, que muitas vezes gera frustração e até insegurança, é mais frequente do que se imagina.

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Durante muito tempo, a dor foi entendida como um sinal direto de lesão. Ou seja, se dói, algo está machucado.

No entanto, a ciência evoluiu e hoje sabemos que essa relação não é tão simples assim. A dor não depende apenas de uma alteração física no corpo.

Ela é uma resposta de proteção produzida pelo cérebro, que leva em conta não só sinais do tecido, mas também experiências anteriores, emoções, nível de estresse e até o contexto em que a pessoa está inserida.

Quando a dor persiste por mais de três meses, ela passa a ser considerada crônica.

Nesse estágio, o problema muitas vezes deixa de estar apenas no local da dor e passa a envolver uma maior sensibilidade do sistema nervoso. É como se o corpo entrasse em estado de alerta constante.

Movimentos simples, atividades do dia a dia ou pequenos esforços passam a ser interpretados como ameaças. Com isso, o organismo responde com dor, mesmo sem uma lesão ativa acontecendo naquele momento.

Isso não significa que a dor é “psicológica” ou “coisa da cabeça”. Ela é real. O que muda é o motivo pelo qual ela está acontecendo.

Além disso, diversos fatores podem contribuir para manter esse quadro ao longo do tempo.

Medo de sentir dor, evitar movimentos, estresse, ansiedade, sono ruim e até crenças como “minha coluna é fraca” ou “meu corpo está desgastado” influenciam diretamente na forma como o cérebro interpreta os sinais do corpo.

Sem perceber, a pessoa entra em um ciclo: sente dor, passa a se movimentar menos, perde força e confiança, e acaba sentindo ainda mais dor.

Hoje, o tratamento da dor crônica é baseado em uma abordagem mais ampla. Envolve movimento gradual, entendimento sobre a dor, melhora de hábitos e, principalmente, a retomada da confiança no próprio corpo.

Mais do que eliminar a dor a qualquer custo, o objetivo é fazer com que a pessoa volte a viver com mais liberdade e segurança.

Sentir dor por muito tempo não significa que seu corpo está “estragado”. Em muitos casos, significa apenas que ele está tentando te proteger, só que de forma exagerada. E a boa notícia é que esse processo pode ser ajustado.