Um parente querido morreu. Você descobre pelo WhatsApp
Por ALESSANDRO NEVES, jornalista.

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Por ALESSANDRO NEVES, jornalista.

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Imagine a cena:
Clique e receba notícias do extra.sc em seu WhatsApp:
Entrar no grupoVocê está em casa, jantando. O celular vibra. Alguém manda uma mensagem em um grupo que explora tragédias alheias:
"Fulana morreu."
É um parente próximo, muito querido.
Ninguém ligou. Ninguém confirmou. Nenhum médico falou com a família. Nenhum parente avisou. Você simplesmente ficou sabendo por uma mensagem encaminhada por alguém que "recebeu de uma fonte confiável".
Parece absurdo?
Pois foi exatamente esse tipo de comportamento que vimos mais uma vez por aqui. Enquanto uma personalidade conhecida está internada, lutando pela vida, pessoas decidiram decretar sua morte nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Sem confirmação. Sem apuração. Sem pensar na família. Sem pensar em ninguém.
A notícia era falsa.
Mas o estrago, esse, é verdadeiro.
O que leva alguém a apertar o botão de "encaminhar" sem fazer a menor ideia se aquilo é verdade? O que se ganha sendo o primeiro a espalhar uma informação que pode destruir uma família por alguns minutos, horas ou até dias?
Vivemos uma época em que muita gente acredita que ter um perfil no Instagram ou participar de dezenas de grupos de WhatsApp a transforma em veículo de comunicação. Não transforma.
Ter seguidores não é ter credibilidade.
Receber uma mensagem não é ter informação.
E compartilhar qualquer coisa sem verificar não é informar. É espalhar boatos.
A internet deu voz para todos. Isso é ótimo. Mas também deu a falsa sensação de que responsabilidade é opcional.
Não é.
Por trás de cada arroba existe uma família. Existem filhos, pais, irmãos, amigos. Existem pessoas que podem entrar em desespero ao ler uma mentira publicada como se fosse um fato.
Antes de clicar em "encaminhar", vale uma pergunta simples: e se fosse com a sua família?
Você gostaria de descobrir a morte do seu pai por uma mensagem em um grupo? Da sua esposa? Do seu filho? Da sua mãe?
Ou pior: gostaria de passar a noite inteira recebendo ligações porque alguém resolveu anunciar uma morte que nunca aconteceu?
Informação não é brincadeira.
Palavras têm consequências. Publicações têm consequências. Compartilhamentos têm consequências.
Empatia também deveria ser compartilhada.
Checar antes de publicar não é burocracia. É respeito.
Esperar a confirmação não é perder o furo. É preservar a dignidade de quem está vivendo um dos momentos mais difíceis da vida.
A tecnologia evoluiu. A velocidade da informação aumentou. Mas isso nunca será desculpa para abandonar aquilo que deveria vir antes de qualquer publicação: responsabilidade.
Porque notícia não é corrida.
E a dor dos outros nunca deveria servir de conteúdo para alimentar a ansiedade de quem quer ser o primeiro a contar uma história que nem sabe se aconteceu.
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