O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai deixar o cargo, em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank. A decisão foi divulgada em vídeo nas redes sociais e formalizada em carta ao Congresso, mas a sessão que votaria a aceitação da renúncia foi suspensa por falta de quórum. Com isso, Peña segue formalmente no comando do país.

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A renúncia foi apresentada enquanto os deputados discutiam a abertura de um processo de impeachment contra ele. Pouco depois do anúncio, a Câmara aprovou o processo por unanimidade, com 78 votos, e o caso seguiu para o Senado. Parte dos parlamentares, da oposição e da base do governo, defende manter o julgamento em vez de aceitar a saída voluntária.

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank e determinou sua dissolução, após constatar que o índice de solvência da instituição havia caído abaixo de 50% do mínimo exigido. O fechamento deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e levou a protestos no país. A oposição acusa o governo de ligações com o banco.

Peña perdeu a sustentação política quando o Partido Colorado, sua própria legenda, passou a apoiar o impeachment, com respaldo do ex-presidente Horacio Cartes. No vídeo, o presidente disse que tomou a decisão pela estabilidade do país, pediu desculpas à população e afirmou que vai colaborar com as investigações.

Se a renúncia for aceita ou o impeachment confirmado, quem assume é o vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, para completar o mandato até agosto de 2028. A Câmara arquivou nesta quinta um pedido de impeachment contra ele, por 48 votos a 30.