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Enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé

Blog do Dal Molin

Enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé

Foto: Reprodução

Esta frase era muito utilizada por meu pai para demonstrar que enquanto existir um tolo, existirá também aquele que deseja se dar bem em cima deste tolo. Essa é uma frase que repito muitas vezes em minha aulas, cursos ou treinamentos, por quê? Porque não existe almoço grátis. No mercado financeiro se alguém está ganhando é porque alguém está perdendo.

Desde que o mundo é mundo já tivemos muitos tipos de produtos que foram utilizados como moeda de troca, dentre eles o sal (daí deriva a palavra salário), conchas, grãos, peixe fresco, tabaco, peles de animais, gado, chocolate e cigarro. Com o passar do tempo, os metais foram se apresentando como as mercadorias ideais para troca. Não apodreciam, podiam ser divididos, eram homogêneos, apresentavam valor constante, não envelheciam, tinham relativa raridade, o que lhes conferiam mais valor. O ouro e a prata assumiram lugar de destaque nos diferentes povos, pois eram associados com o sol e a lua e não enferrujavam como os outros metais. O ouro é tão escasso que, se você reunir todo ouro minerado na história da humanidade e juntasse num bloco maciço, ele teria um cubo de 20 metros de lado, ou seja, 142 mil toneladas. Somente para efeito de comparação, essa quantidade é o equivalente a seis horas de extração de minério de ferro da empresa Vale (VERSIGNASSI, 2015).

Mas por que falo disso. Nos últimos anos estamos sendo inundados de moedas virtuais, como Aeon, Bitcoin, Blackcoin e tantas outras. Esse movimento inicia mais fortemente a partir dos anos de 2013 para cá e muito em função dos jogos virtuais. Nesta esteira apareceu o “picareta” virtual, um sujeito que deseja usar o cavalo e não andar a pé. Ele aparece em qualquer lugar do mundo oferendo um negócio que ninguém tem. Ele obtém aquele milagre que nem Jesus Cristo conseguiu, aquele negócio que rentabiliza 7%,10%, 12% ao mês. E, por incrível que pareça, por causa da ambição e da ganância do ser humano, estes “extraordinários investidores virtuais” conseguem o convencimento e a aceitação de potenciais investidores na rota para o dinheiro fácil.

Para o leitor menos atento no ano de 2018 a rentabilidade do ouro foi de 16,93% ao ano, do dólar americano 16,92%, a bolsa de valores teve uma rentabilidade de 15,03% e dos títulos do tesouro IPCA rentabilizaram 12,31% ao ano, sim todos renderam ao ano e não ao mês. Ou seja, quem investiu R$ 1.000,00 em janeiro em ouro, conseguiu R$ 1.169,30 em dezembro.

Daí minha pergunta, como alguém que irá fazer pegar essa soma em dinheiro, aplicar nos fundos de investimentos existentes que rendem no máximo 16,93% ao ano e lhe devolver um valor equivalente a 7% ao mês, que daria uma taxa de retorno ao ano de 125,22% . Como ? Qual é o milagre ?

Não existe milagre da multiplicação de taxas, não existe!

O que existe é um mercado com fundo de investimentos limitados a juros de mercado, spread de bancos e de corretoras, estudos de mercado, e em alguns casos uma dose de sorte do investidor em função de seu período de aplicação ou de venda do ativo.

Termino com uma frase que meu avô dizia a meu pai. Meu avô foi comerciante no início dos anos 1920, em uma época que o centro comercial mais importante do país São Paulo, era algo muito distante da realidade das pessoas do interior do país. Quer fosse pela distância, pela dificuldade de acessos ou de transporte ir até São Paulo ou vir de lá era algo bastante complicado. Ele dizia o seguinte: “Será muito difícil alguém vir lá de São Paulo e, simplesmente por benevolência ou boa intenção, fazer você ganhar dinheiro. Fazer você ficar rico”. Meu avô claro, já sabia que São Jorge nunca andaria a pé. Pense nisto e administre seu negócio.

 

Dica de Livro

Os Axiomas de Zurique – Max Gunther

Livro é constituído de 12 axiomas principais mais 16 secundários, que pretendem dar resposta às dúvidas com as quais o especulador pode se deparar. Os axiomas (verdades) seriam sobre: risco, ganância, esperança, previsões, padrões, mobilidade, intuição, religião e ocultismo, otimismo e pessimismo, consenso, teimosia e planejamento. O título refere-se às táticas usadas pelos banqueiros suíços para obter êxito no mundo dos negócios. Max Gunther revela os segredos de um grupo exclusivo de homens que, depois da Segunda Guerra Mundial, resolveu ganhar dinheiro investindo em várias frentes, de ações a imóveis, de commodities a moedas estrangeiras

GUNTHER, MAX. Os Axiomas de Zurique: os conselhos dos banqueiros suíços para orientar seus investimentos. 9.ed. Tradução de: Isaac Piltcher. Rio de Janeiro: Record, 2003.

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